quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

DN opinião Asunta

5 Outubro 2013 

 

Porque assassinaram Asunta Basterra Porto?

O assassinato de Asunta Basterra Porto, uma adolescente de Santiago de Compostela, de origem chinesa, comoveu todos os habitantes de Santiago e provavelmente toda a opinião pública de Espanha.

Asunta foi encontrada morta num descampado a poucos quilómetros de Santiago e a poucos metros da casa da sua família. Foi sedada antes de ser morta.

O impacto foi tal que alguns meios de comunicação social do país vizinho estão a informar sobre o caso de uma forma que chega a roçar o sensacionalismo.

O motivo é a polémica suscitada pelo facto de os seus pais, Rosario Porto e Alfonso Basterra, terem sido constituídos arguidos e presos por homicídio, depois de a Guarda Civil e o juiz terem encontrado fortes indícios que apontam para a culpa do casal.

Nos cafés e nas ruas de Santiago de Compostela, as perguntas que repetem, incrédulas, inúmeras pessoas que conhecem os pais de Asunta há vários anos são: "Porque a assassinaram? Rosário e Alfonso são realmente culpados? O que aconteceu para que uma criança, aparentemente tão querida, alegre, sociável e brilhante morresse desta maneira? Asunta sabia alguma coisa que não devia saber?"

Rosario Porto, de 44 anos, advogada brilhante e ex-cônsul honorária de França na Galiza, era até ao dia 22 de setembro uma pessoa muito popular na capital galega. Aí participava sempre em várias atividades sociais.

Asunta, que fazia 13 anos no dia 30 de setembro, foi adotada com poucos meses de vida, era sobredotada e tinha um dom inato para a música, a dança e idiomas. Tinha acabado de criar um blogue em inglês que falava de assassinatos e de mortes por resolver.

Alfonso Basterra, de 49 anos, jornalista, vivia há 20 anos na Galiza, onde colaborou com vários meios de comunicação. Alfonso, ao contrário de Rosario, é pouco comunicativo e muito calado. Estava separado da mulher, mas viviam em casas próximas, no centro de Santiago de Compostela.

O facto de viverem no centro da cidade, rodeados de comércio, de câmaras de videovigilância, está a ajudar à investigação. Foi precisamente uma dessas câmaras que captou a imagem de Rosario a sair da garagem da sua casa, no dia 22, numa altura em que a filha já estava dada como desaparecida.

Outra das provas, decisivas, que levaram o juiz José Vázquez Taín a decretar a prisão preventiva de ambos os pais de Asunta, acusando-os de homicídio, foi a corda e a ponta de cigarro de Alfonso, encontradas junto ao cadáver.

Além disso, foram também levadas em consideração as declarações contraditórias de Rosario e o facto de a menina ter sido fortemente sedada antes de morrer, precisamente com o mesmo tipo de tranquilizantes que são utilizados pela mãe.

Há outros culpados?

Alguns jornais galegos destacaram a hipótese de que haja outras pessoas implicadas no crime. Uma possibilidade que foi igualmente contemplada pela investigação. A amizade entre Rosario Porto e um cidadão marroquino acusado de tráfico de imigrantes, as suas contínuas viagens a Marrocos e a sua repentina mudança de estilo de vida estão a ser analisadas.

Os motivos do crime

O juiz Vázquez Taín declarou no sábado à televisão espanhola que a investigação está neste momento centrada em encontrar provas decisivas e evidentes que ajudem a encontrar e a descobrir os culpados do assassínio de Assunta Basterra Porto e não as causas do crime. Ontem foi noticiado que os pais se recusaram a participar numa reconstituição dos factos.