terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Casos tristes de uma vida de polícia

Matéria de facto

27/12/2008


Casos tristes de uma vida de polícia



Nesta quadra é costume relembrar o ano que passou, e até a vida que vai passando, as experiências que tivemos. É tempo de lembranças e também de desejos. A mim, o Natal faz-me recordar crianças que já partiram. Lembro casos tristes de uma vida de polícia. Há a Joana, morta pela mãe e pelo tio. Há a Mariana, morta pelo pai a pontapé. Há a Filipa, enforcada pelo pai, por ciúmes. Há aquela bebé prematura que morreu de fome, porque a mãe lhe cortou os tubos do soro.
Estas foram mortes violentas, mas também há a morte de crianças por negligência, abandono, incúria. Se o mais atroz sofrimento a que um ser humano pode ser acometido é ver partir um seu filho, o crime mais ignóbil a que a Humanidade assiste é um progenitor que acaba com uma vida que gerou. Dos casos que referi, os progenitores/homicidas foram levados à Justiça e condenados. Mas existem por este mundo muitos infanticidas que não conhecem o rosto da Dama que, de olhos vendados, segura a balança.
Neste tempo de Natal, depois das recordações, assalta-me um desejo: que a Justiça tire a venda, que os políticos não se escondam por detrás de interesses obscuros e dêem a estas crianças a única coisa que ainda lhes podemos dar: Justiça.


http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=AFFB86E1-23A6-463A-BBA7-F66EDCC4B8AB&channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093