quinta-feira, 17 de outubro de 2013

R.P-Prof Universitário

















opinião para mim bem estranha.







Segunda opinião

Onde está Maddie?

Passados mais de seis anos desde que Madeleine McCann desapareceu sem deixar rasto, na Praia da Luz, que sabemos nós de ciência certa?

Por:Rui Pereira, Professor Universitário

A bem dizer, rigorosamente nada. Não sabemos se a criança, que se preparava para comemorar o seu quarto aniversário, foi sequestrada, assassinada, sofreu morte acidental ou foi vítima de um homicídio negligente. Os excêntricos que acreditam nas visitas furtivas dos extraterrestres até poderão sustentar que ela foi abduzida por um ovni em trânsito no Algarve, naquela fatídica noite de 3 de maio de 2007.
A ausência de respostas prova a incompetência da polícia? Nem tanto. A ideia de que uma polícia de investigação pode deslindar qualquer crime é exagerada. Um criminoso que aja premeditadamente tem a vantagem da iniciativa e pode escolher as circunstâncias de tempo, lugar e modo do crime. Se o seu plano for bem delineado e a execução não tiver falhas, é possível escapar impune. Todas as polícias do mundo, incluindo a britânica, se confrontam com enigmas que não conseguem resolver, nomeadamente no âmbito do desaparecimento de crianças.
Sendo impossível fazer a autópsia do crime, é necessário dissecar um processo que morreu precocemente. Aí sim, é fácil reconhecer falhas. Foram desconsiderados indícios de um crime de exposição ou abandono que pode ter sido cometido contra três crianças de dois a três anos de idade confiadas à sua sorte. A constituição de Robert Murat como arguido com base num perfil desvinculado dos factos foi precipitada. A coabitação no inquérito de arguidos incompatíveis (Murat, suspeito de sequestro, e os pais de Maddie, suspeitos de homicídio) foi absurda.
Sem os erros processuais, nem por isso estaria assegurado o êxito desta investigação. Aliás, não me parece que a Polícia Judiciária tenha dispensado qualquer esforço ou desprezado qualquer pista. De todo o modo, os erros fragilizaram a imagem da Justiça portuguesa, num processo sujeito a um escrutínio mediático internacional nunca antes visto. Essa pressão foi responsável por uma "pressa" que se revelou má conselheira. A pressa deve ser confinada à investigação. Na constituição de arguido e na acusação, tudo tem de ser ponderado com critério.