terça-feira, 5 de março de 2013

L.C.julgada por contradições


"Este foi um momento importante na sua vida e seria de esperar, até pelas vezes que já lhe foram colocadas perguntas, que o tivesse bem guardado na memória", argumentou o MP, concluindo que Leonor "insiste na mentira" e deve ser condenada a pena de prisão.












Faro: Em causa acusações de agressão a inspetores da PJ

Leonor julgada por contradições


As diferentes versões que apresentou sobre as alegadas agressões de que foi vítima nas instalações da Polícia Judiciária de Faro levaram ontem Leonor Cipriano ao Tribunal de Faro. A mãe de Joana – que cumpre pena de 16 anos pelo homicídio da menina – responde por falsas declarações.

Ontem, Leonor, 42 anos, repetiu o que dissera em tribunal, em 2008, no julgamento de cinco inspetores da PJ - incluindo Gonçalo Amaral e Paulo Pereira Cristóvão - por agressões durante os interrogatórios na investigação da morte de Joana, em 2004.

Leonor repetiu que na PJ de Faro os inspetores a agrediram com "socos e pontapés", que lhe bateram "com um tubo de cartão", que lhe colocaram "um saco azul de plástico na cabeça" e a atingiram "com uma lista telefónica". No entanto, nas respostas ao Ministério Público (MP) e à juíza, a mãe de Joana caiu em contradições: não conseguiu dizer a cronologia das agressões, referiu se ao tubo de cartão como sendo de plástico e afirmou que esteve sempre sentada, quando antes dissera que fora obrigada a colocar-se de joelhos, em cima dos cinzeiros.

"Este foi um momento importante na sua vida e seria de esperar, até pelas vezes que já lhe foram colocadas perguntas, que o tivesse bem guardado na memória", argumentou o MP, concluindo que Leonor "insiste na mentira" e deve ser condenada a pena de prisão. O advogado de defesa referiu que a mãe de Joana "tem dificuldades em expressar-se", o que, aliado a uma situação "em que o discernimento não seria o melhor", explica as contradições. A leitura da sentença foi marcada para dia 14.

Em 2008, no julgamento dos inspetores da PJ, o tribunal deu como provadas as agressões mas não identificou os agressores.