segunda-feira, 11 de março de 2013

Caso Rui Pedro




http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=69772






11 de Março, 2013por Joana Ferreira da Costa

........Ricardo Sá Fernandes acredita que a investigação policial vai ganhar «fôlego». E vai pedir uma reunião com a equipa de investigadores que acompanhou o caso nos últimos anos, coordenada pelo procurador Vítor Magalhães, do Departamento Central de Investigação e Acção_Penal (DCIAP)......




O advogado da família de Rui Pedro, o rapaz desaparecido há 15 anos em Lousada, vai pedir novas buscas ao local onde o jovem foi visto pela última vez e defende que há pistas recentes que devem ser investigadas.

Depois de na segunda-feira passada o Tribunal da Relação do Porto ter condenado Afonso Dias pelo rapto de Rui Pedro, então com 11 anos – revogando a decisão do Tribunal Judicial de Lousada –, Ricardo Sá Fernandes acredita que a investigação policial vai ganhar «fôlego». E vai pedir uma reunião com a equipa de investigadores que acompanhou o caso nos últimos anos, coordenada pelo procurador Vítor Magalhães, do Departamento Central de Investigação e Acção_Penal (DCIAP).
«Quero pedir buscas na zona de Lustosa, onde o Afonso Dias levou o Rui Pedro para se encontrar com uma prostituta» – avançou ao SOL o advogado, explicando que aqueles terrenos nunca foram alvo de verdadeiras batidas, mas apenas de buscas superficiais na altura do desaparecimento.
«É uma área enorme, entre Freamunde e Lousada, com ribanceiras e descidas íngremes, que tem de ser alvo de um verdadeiro despiste. A prioridade da família é saber o que aconteceu a Rui Pedro», adianta.

Por isso, o advogado vai também insistir na investigação das novas pistas sobre o que terá ocorrido depois da tarde de 4 de Março de 1998, em que o rapaz desapareceu.

Novas informações devem ser investigadas

Pistas com informações sobre o que terá sucedido continuam a chegar ao advogado da família e à Polícia. «Todas as semanas recebo informações sobre o caso, por telefone ou por carta, que encaminho para a Polícia», explicou ao SOL. «Muitas são falsas ou sem qualquer cabimento, mas há uma ou outra pista que me parece ser consistente para investigação. Temos de continuar a seguir pistas».
É essa também a esperança da mãe de Rui Pedro, reforçada pela condenação de Afonso Dias. «É uma luzinha de esperança» para perceber o que aconteceu naquele dia, admitiu Filomena Teixeira. «A condenação vai ao encontro do que sempre pensamos: que ele era culpado».

Relação arrasa absolvição

A reviravolta no caso foi conhecida esta segunda-feira, precisamente no dia em que se completavam 15 anos sobre o desaparecimento de Rui Pedro. O Tribunal da Relação do Porto anulou o acórdão proferido há pouco mais de um ano pelo Tribunal de Lousada e condenou Afonso Dias (um antigo vizinho e amigo da família, actualmente camionista de profissão) a três anos e meio de prisão efectiva.
O motorista profissional – na altura com 18 anos – tinha sido absolvido por falta de provas no julgamento no Tribunal de Lousada. Mas a Relação – que analisou os recursos do Ministério Público e da família de Rui Pedro – diz agora que houve «erros ostensivos» na apreciação da prova, arrasando a sentença anterior.
Fundamental nesta reviravolta foi o facto de os juízes-desembargadores terem valorizado o depoimento de uma prostituta, Alcina Dias, cuja credibilidade fora posta em causa no julgamento.
A mulher confirmou que Rui Pedro, que reconheceu em fotografias, lhe fora levado por Afonso Dias, no dia do desaparecimento, para terem relações sexuais. O rapaz estaria apavorado e a mulher contou que se limitou a conversar com ele, tendo-o ‘devolvido’ a Afonso Dias. Rui Pedro nunca mais foi visto.
A Relação corrigiu também a ordem cronológica dos acontecimentos daquela tarde, em que Rui Pedro largou a bicicleta que levava e se encontrou com Afonso. Para a Relação, na decisão anterior deram-se como provados factos que nunca foram demonstrados.