domingo, 25 de novembro de 2012

"E nós adoramos charadas."

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/f-moita-flores/maddie-e-submarinos


Impressão Digital

Maddie e submarinos

Nós adoramos mistérios. E adoramos inventar histórias com uma conclusão, mesmo que não seja lógica, que agrade às nossas emoções. Umas vezes para alimentar esperança, outras vezes para a destruir, ......




Nós adoramos mistérios. E adoramos inventar histórias com uma conclusão, mesmo que não seja lógica, que agrade às nossas emoções. Umas vezes para alimentar esperança, outras vezes para a destruir, a maioria das vezes porque acreditamos que um destino fatalista, feito de mediocridade e cores negras, está sempre à nossa espera. Vem isto a propósito de dois casos mais uma vez lançados no mercado do diz que disse. 

A polícia inglesa descobriu um cidadão inglês que sabe qual foi o destino de Maddie, a menina desaparecida no Algarve. Era médico e suspeita-se que negociava crianças. E neste caso ele terá sabido que a miúda foi vendida a um gang cigano que operava em Marrocos. 

Admito que gang por gang seria mais fácil meter ciganos na história sem ter de irmos para Marrocos, mas a versão é esta e contra ela nada a opor. A verdade é que o suspeito morreu há dois anos e, portanto, a versão agora posta a correr vale tanto como zero.

 Daí que não me admire que o caso Maddie passe à história como passou o caso do Estripador de Londres, célebre serial killer do séc. XIX, para o qual se inventaram muitas identidades, desde o maior dos labregos ao mais aristocrata dos assassinos. 


Neste caso mais recente, se calhar nem é preciso procurar tão longe. É o meu caso. Também adoro mistérios e volto a repetir a questão que já aqui uma vez coloquei.

 Só um raptor muito estúpido entrava por uma porta e saía por uma janela com o estore parcialmente aberto. Só um mágico passaria com uma criança ao colo, ou às costas, por aquela nesga. 

A polícia que faça a reconstituição e verá essa impossibilidade. O mistério está ali e mesmo à mão de semear, sem precisar de encontrar meninas iguais a Maddie em todos os pontos do mundo. 

Mas assim é melhor. Alimenta a confusão e o mistério adensa-se. E nós adoramos charadas.


Já com o caso dos submarinos a coisa é diferente. Tantos anos depois levar o primeiro processo a tribunal é uma prova de resistência. Na Alemanha, os autores já foram julgados, cumprem prisão e, embora seja mistério, sou capaz de acreditar que estarão em liberdade quando aqui a novela chegar ao fim. Porque é assim? Não sei. Ninguém sabe explicar. É mais um mistério e nós, na verdade, gostamos muito de fazer figura de parvos.

*****

http://paper.li/UniteEuropeNews