quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Conclusão do Relatório Intercalar - Conclusão

"Por todo o exposto, RESULTA dos Autos QUE:

A) a menor Madeleine McCann morreu no apartamento 5 A do Ocean Club da Praia da Luz, na noite de 03 de Maio de 2007;
B) ocorreu uma simulação de rapto;

C) de forma a impossibilitar a morte da menor antes das 22H00, foi inventada uma situação de vigilância das crianças do casal McCann enquanto dormiam;

D) Kate McCann e Gerald McCann estão envolvidos na ocultação do cadáver da sua filha Madeleine McCann;

E) neste momento, parece não existirem ainda fortes indícios de que a morte da menor não tenha ocorrido devido a um trágico acidente;

F) do apurado até ao momento, tudo indica que o casal McCann, como autodefesa, não queira fazer a entrega de forma imediata e voluntária do cadáver, existindo uma forte probabilidade de o mesmo ter sido transladado do local inicial de deposição. Esta situação é susceptível de levantar questões quanto às circunstâncias em que ocorreu a morte da menor."


http://joana-morais.blogspot.com/2009/11/relatorio-intercalar-conclusao.html


Ex.mo Senhor
Coordenador de Investigação Criminal

Madeleine Beth McCann nasceu a 12 de Maio de 2003. Encontra-se desaparecida desde o dia 03 de Maio de 2007, facto que ocorreu na Praia da Luz, em Lagos.

É filha de Gerald e Kate McCann e o seu nascimento foi desejado e planeado. No entanto há que referir a dificuldade em a mãe engravidar, resultando os necessários tratamentos e o 'preço' dos mesmos. Veio a nascer de um inseminação 'in vitro', mas face ao ADN traçado da menor, a mesma é filha do casal McCann.

É dado cientifico que os tratamentos médicos para superar algumas das razões da não gravidez aumenta a probabilidade de, numa gravidez, dita normal, nascerem gémeos.

Neste caso podemos ver que uma gravidez, embora desejada e planeada, se transformou numa ia situação familiar de cinco em vez de três pessoas. Depois, cuidar de um filho não é o mesmo que cuidar de três, todos em jovem idade.

***

Por cerca das 24 h do dia 03 de Maio de 2007, através de ligação telefónica da GNR de Lagos a este Piquete, foi comunicado o desaparecimento de uma menor, cidadã inglesa. Deslocámo-nos para o local para proceder à necessária inspecção judiciária.

Perante o facto, o desaparecimento de uma menor, a investigação ‘desenhou' os diversos quadros possíveis. Desde logo que os pais da menor atribuíram o facto (desaparecimento) a uma acção de terceiros, defendendo o RAPTO.

Muito embora fosse um dos cenários possíveis, os procedimentos da família foram de modo a conduzir nessa direcção, através de um acção de publicidade do facto de um modo nunca antes visto.

Na verdade, no dia seguinte, as televisões inglesas ao "abrirem" os seus noticiários já publicitavam o desaparecimento / rapto da menor. A defesa deste cenário foi, para a comunicação social, a 'verdade' dos factos em investigação.

O tempo decorreu sem que tal cenário se confirmasse no 'cumprimento' dos seus pressupostos. Nunca foi apresentada qualquer tipo de pedido de resgate em troca de informações ou da própria criança. Porém e face ao depoimento de um dos amigos, Jane Tanner, poderíamos estar perante tal quadro.

Entretanto as diligências continuavam de modo a recolher todo o tipo de informação e sempre na perspectiva de se poder trabalhar todos cenários, ainda, possíveis.

***

A informação recolhida, de inicio, junto dos familiares e amigos foi incerta e “trabalhada”, pelo grupo, de modo a dar força à versão apresentada e defendida.

Seguido a versão dos pais e do GRUPO, foram jantar e todos deixaram os filhos, a dormir, nos respectivos apartamentos.

Os elementos do grupo efectuaram uma reunião em que acordaram determinadas regras que sustentavam uma versão de acompanhamento contínuo das crianças, enquanto jantavam.

Livro de criança rasgado, com 2 versões dos horários
elaborado pelo Grupo antes da Polícia ter sido chamada

Encontra-se junto aos autos, um manuscrito de um elemento do grupo que dá, consistência a esta tese.

Estes princípios que, deste modo, foram partilhados por todo o grupo leva a que perante a opinião pública inglesa todo o GRUPO esteja sempre ilibado, impossibilitando qualquer acontecimento anormal que pudesse superar os trinta minutos, uma vez que todos concordaram ser esse o tempo em que foram realizadas vigilâncias às crianças

A versão de que alguém do grupo , de 15 em 15 ou de 30 em 30 minutos se deslocava aos apartamentos para verificarem de que tudo estava bem, cai por terra !!

Das declarações de todo o GRUPO resulta um total incoerência, face à qual se verifica, facilmente que todos mentem.

Podemos verificar que um dos elementos do grupo querendo dar consistência à versão grupal da vigilância, lhe dá um toque pessoal: as verificações às crianças eram efectuadas de duas maneiras, uma, só para ouvir se alguma chorava e em caso de silêncio tudo estava bem e a outra verificando mesmo.

Na sua vez de verificar as crianças, um dos elementos do grupo, o Matthew, terá feito assim, pois até disse à Kate que estava tudo bem, não especificando. A Kate lembra-se deste pormenor.

A verdade , no entanto, é que esta informação leva a investigação a vaguear, a perder tempo e recursos.

Não é entendível que esta informação seja prestada de inicio e mantida ao longo de todo o tempo, apesar de, qualquer um, poder verificar os prejuízos daí resultantes para a investigação.

Volvido todo este tempo a versão mantém-se !! a par da afirmação pública e martelada de que o que mais querem é "ajudar a investigação”.

A investigação teve de assumir a incorrecção da informação e sair em frente.

Daqui só !! resulta:
Se alguém foi ver as crianças e estava tudo bem o desaparecimento verificou-se entre as 21.30 e as 22 horas;

Se a informação não contasse com tal testemunha (?) então o desaparecimento ocorreu entre as 21.00 e as 2200 h, alargando o período (partindo do principio de que o pai fala verdade).

Há no entanto uma outra questão sobre o horário, que é:
A última vez que a criança foi vista fora do GRUPO, por alguém que possa provar esse momento, foi por cerca das 17.35, horas, quando os pais a foram buscar ao infantário / creche, o que poderá aumentar o hiato de tempo, entre o desaparecimento e o alerta, para quatro horas.

***

Na continuação da análise à informação prestada temos que um dos elementos do GRUPO veio a ser uma testemunha, pretensamente importante, Jane Tanner, pelo que nos transmitiu: VIU alguém à hora do jantar atravessar a rua: do local do desaparecimento, na direcção da casa de Robert Murat.

Esta informação direccionou e ocupou o trabalho dos investigadores durante largo tempo. Este pode ser o exemplo de como uma informação que não é correcta pode , não só atrasar, como pode ter levado à perda da menina.

Através de insistência na informação vieram-se a traçar cenários de desconformidade da mesma com a realidade, mas que não impediu a realização de um trabalho demorado e intenso à volta daquele arguido.

De igual modo podemos verificar a discrepância sobre o assunto nas declarações de Gerald e da Jane. Como passaram a escassos dois / três metros um pelo outro e não se viram; podem posicionar-se num espaço tão reduzido, entre ambos não conseguem ver a mesma pessoa a passar; melhor um vê e outro não.

Mesmo o local onde, supostamente, se teriam cruzado não é muito bem definido por ambos.


Aqui faço um pequeno intervalo no relatório e introduzo um extracto do testemunho, bem como o croqui, de Jane Tanner, feito no dia 4 de Maio de 2007, que descreve o alegado avistamento do raptor. É este o testemunho que serve de base à tese do rapto, defendida pelos McCann e o grupo.


(...)Normalmente em cada 15 minutos uma pessoa de cada apartamento vai aos quartos (1) das respectivos filhos para ver se está tudo bem com eles. Durante o jantar tudo correu bem. As pessoas estavam bem dispostas. Recorda-se que, pelas 21h10m, o Gerald McCann saiu do Restaurante (3) tendo ido ao apartamento para ver as crianças. Cinco minutos depois saiu a depoente, tendo-se deslocado ao seu apartamento para verificar se estava tudo bem com as suas filhas. Nessa altura reparou no Gerald McCann a falar um cidadão inglês, de nome Jez, que conheceram nestas férias. Jogava ténis com eles. Passou por eles sabendo que o Gerald McCann já tinha estado no apartamento (1) a ver os filhos. Entretanto reparou num homem (*) a passar com uma criança ao colo (**) com um passo apressado, tendo sido esse pormenor juntamente com o facto de a criança estar vestida com um pijama sem estar "embrulhada" com uma manta, que lhe chamou a atenção. Só o conseguiu ver de lado com a criança nos seus braços. Apercebeu-se da presença do indivíduo exactamente quando acabou de passar pelo Gerald McCann e o Jez, que conversavam, tendo visto essa pessoa a sair do passeio que delimita o bloco de apartamento (1) onde residem, tendo rapidamente atravessado o cruzamento A entrada do prédio de apartamentos (1) faz-se exactamente no local (rua) de onde apareceu o referido indivíduo. Após ter ido ver os filhos regressou as Restaurante. No regresso o Gerald McCann já não se encontrava a conversar no local onde o tinha visto. Quando chegou ao Restaurante (3) já estava o Gerald McCann acompanhado da sua mulher Kate Healy.(...)

Mais tarde no relatório final da PJ será dito o seguinte: «A proximidade física, real e efectiva entre Jane Tanner, Gerald McCann e Jeremy Wilkins, no momento em que a primeira passou por eles, e que coincidiu com o avistamento do suposto suspeito, transportando uma criança. Resulta, a nosso ver, inusitado que tanto Gerald McCann como Jeremy Wilkins, não a terem visto, nem ao alegado raptor, apesar da exiguidade do espaço». 


O momento escolhido pelo testemunha Jane para prestar a informação do que tinha 'visto' e a explicação para tal momento é irreal, ou seja não será facilmente aceitável que qualquer testemunha (do grupo) ao ver alguém com uma criança ao colo afastar-se da casa dos McCann, não tenha, imediatamente, agido ou falado, sendo certo que a própria descrição da pessoa vai sendo sucessivamente alterada e “aperfeiçoada". Não resulta, assim, grande credibilidade neste depoimento.

***

Até ao momento estivemos na análise de pequenas distorções na informação inicialmente transmitida, verificando-se 'pequenas' alterações à verdade relacionando-as com a investigação e a direcção a que obrigaram.

A investigação não andou a mando nem ao sabor de quem quer que fosse: a informação familiar e 'grupal' que neste tipo de crime é fundamental, foi sempre distorcida.

Face ao facto das pessoas serem estrangeiras impediu, até hoje, uma recolha de informação directa sobre as pessoas do GRUPO.

***

Os pais da menor vivem numa sociedade, a inglesa, conhecida através da imprensa em caso relatados, com muito exigente. A profissão de ambos a medicina, completado pelo facto do pai ser cirurgião, faz aumentar este grau de exigência e o consequente cansaço.

Numa sociedade identificada, a inglesa, internacional e mediaticamente, como exigente e com muitas e apertados regras para determinar essa 'exigência' obrigará a que as pessoas descansem; façam uma paragem profissional: gozem férias.

A profissão de Gerald McCann é a de cirurgião cárdio vascular.
Em muitos momentos da sua carreira profissional teve de decidir em milésimos de segundo, o que lhe 'atribui' uma frieza e, certamente, provoca um cansaço acrescido.

O gozo de um período de férias supõe um descanso, através de práticas não usuais e de uma liberdade e isenção de horários.

A vida social num tal período de férias, no caso presente, é facilitado pelo facto de terem viajado em grupo.

Mas essa vida social pode, de algum modo, ser tocada pela presença e necessidades de acompanhamento, constante, dos menores.

Este facto e necessidade constata-se através da entrega dos filhos nos respectivos infantários e creches (adequados às respectivas idades). O tempo de férias não é partilhado entre os pais e os filhos.

***

O DIA 03 de Maio de 2007 tinha decorrido, até cerca da hora do jantar, de um modo natural face ao tipo adoptado. Após terem ido buscar os filhos ao infantário e à creche dirigiram-se para o Apartamento, pouco depois das 17.35 h. Mas... a Kate foi correr meia hora à praia e depois foi para o apartamento e .... o Gerald foi jogar ténis.

Enquanto durou o jogo de ténis apareceu um elemento do grupo que esteve em contacto com a Kate, no apartamento num período de tempo que terá mediado entra os 30 segundos, segundo a versão da Kate, e os 30 minutos, segundo a versão do Gerald.

Em trinta segundos podemos perguntar se está tudo bem e se é necessário algo, pouco mais. Em trinta minutos podemos avançar e fazer algo que necessitem de nós.. ...

Deitaram e adormeceram os menores, por cerca das 19.30 h. Mantiveram-se em casa até cerca das 20.30 h indo de seguida para o restaurante ' O Tapas'. Do grupo foram os primeiros o chegar.

Após estar todo o grupo à mesa, e a dar inicio à refeição, começaram as " visitas” às crianças de um modo que não é coerente nem aceitável, não podendo ser confirmado e que só o grupo defende, no tipo 'versão única'.

Embora afirmem nos autos que a sua posição estratégica no restaurante ‘O Tapas’ lhes permitia, a eles McCann, ver o apartamento onde deixaram os seus filhos, menores, a dormir, pelo exame ao local afigura-se falso.

De notar, ainda, pelo exposto nos autos que tudo aponta para que a posição na mesa era de costas voltadas para o apartamento.


Para entenderem qual a "visão" possível do apartamento, onde os McCann deixaram os três filhos, todos com menos de 4 anos na noite de 3 de Maio de 2007, apresento a fotografia 1 que mostra onde os McCann e o grupo de amigos estavam sentados a jantar e a fotografia 2 que demonstra a impossibilidade de se poder vigiar as crianças, ou fosse o que fosse desde o "Tapas".



Naquela NOITE, por cerca das 22.05 h, segundo a versão da mesma, foi a vez da Kate se dirigir ao apartamento para verificar a crianças, coincidindo com o fim do jantar, ao qual tinha chegada por cerca das 20.30 h.

Voltou, assim, ao apartamento cerca de uma hora e meia depois, espaço de tempo durante o qual esteve sem ver os seus filhos.

Demorou cerca de 10 minutos !!. Depois apareceu no restaurante e comunicou aos restantes elementos o desaparecimento da filha Madeleine.

De notar que a Kate bem sabia que, deslocando-se como o fez novamente ao restaurante deixaria os dois gémeos, Amelie e Sean, na mesma situação de perigo.

Não se compreende que não tenha utilizado o telemóvel para chamar o Geral ou o grupo ou, mais simples, que tivesse vindo à varanda de onde poderia ser perfeitamente audível pelos elementos do grupo.

***

As autoridades, GNR, foram alertadas par cerca das 22.40 h e foram encetadas, pelos populares alertados, buscas para procurar a menor.

A divulgação dos factos não se ficaram pelas autoridades e pelas difusões normais. No dia seguinte canais de televisão ingleses e portugueses noticiam o facto.

No entanto o GRUPO esteve reunido. A procura ter-se-á circunscrito ao interior do apartamento.

Antes de qualquer busca efectuada pelas órgãos policiais aos arredores já corria a notícia do eventual rapto.

Por questões, dizem, de aconselhamento e apoio os pais solicitaram a presença de um padre, por cerca das 02.00 / 03.00 horas do dia 04 de Maio.

Das declarações informais que prestaram, durante a inspecção judiciária no local as informações desde logo induziram à tese do RAPTO.

Coisas simples tornaram-se em desinformação: a questão da janela aberta ou fechada; o estore aberto ou fechado; a porta da varanda aberta .... a porta de entrada do apartamento, no trinco ou fechada.

***

Apesar de tudo, até determinada altura da investigação a família sustentou e alimentou a tese do rapto. Contudo, em data não precisa foi sugerido pela família que fosse consultada uma pessoa que poderia, eventualmente, indicar o provável sítio onde se poderia encontrar o cadáver da menina Madeleine.

Este facto tornou-se inexplicável aos elementos da investigação uma vez que foram os próprios elementos da família a levantar a hipótese da morte da pequena Maddie.

Apesar de tudo perante a comunicação social continuavam / continuaram (e continuam) a declarar a esperança que têm de encontrar a filha viva: a primeira vez que se levantou a hipótese da menina estar morta é, efectivamente, sugerida pelo casal McCann.

***

Mantendo, embora, em aberto várias linhas de investigação foi decidido avançar na vertente de efectuar uma nova inspecção ao local de onde desapareceu a menina.

A técnica de inspecção é vulgarmente usada no Reino Unido e consiste na utilização de dois cães especialmente treinados.

Como é natural o olfacto dos animais é o 'sentido' usado. No caso deste 'sentido' a diferença entre o homem e o cão é de 5 milhões de células para 200 milhões de células. De salientar o facto de o recurso a este tipo de inspecção, no UK, é frequente e a percentagem de êxito é de cem por cento.

Um dos cães está treinado para detectar odor de cadáver e o outro para identificar vestígios de sangue humano.

Realçamos neste momento que a localização de odores de cadáveres significa que fisicamente o corpo (cadáver) não se encontra no local, marcado pelo cão, mas seguramente ali esteve, desde que o cão o sinalize.

Conforme se verifica dos respectivos autos, constantes do inquérito os cães efectuaram inspecções cinotécnicas nos locais, abaixo, identificados e nos objectos descritos, com os resultados indicados.

As inspecções foram todas gravadas em som e imagem e foram dirigidas pelos colegas ingleses que acompanham os cães.

Neste grande número de objectos e locais inspeccionados os cães vieram a ter comportamento de identificação, "marcação”, nos seguintes locais e objectos:

1. apartamento 5 A, resort do Ocean Club, local de onde desapareceu a menina:
1.1 cão de odor de cadáver:
* no quarto do casal, num canto, junto do roupeiro;
* na sala de estar, por detrás do sofá, junto da janela lateral da apartamento;

1.2 cão de sangue:
* na sala de estar, por detrás do sofá, junto da janela lateral do apartamento (exactamente o mesmo local assinalado pelo cão que sinaliza odor de cadáver);

2. zona de quintal fronteira ao apartamento 5A:
2.1 cão de odor de cadáver:
* num dos canteiros, sendo comentado pelo treinador a ‘ligeireza’ do odor detectado;

3. apartamentos onde estiveram hospedados os restantes elementos do GRUPO:
* NADA foi detectado por qualquer dos cães;

4. casa actual (à data) do casal McCann:
* NADA foi detectado, na casa, por qualquer dos cães;

5. na localidade Aldeia da Luz:
* NADA foi detectado por qualquer dos cães;


6. às roupas e pertences da família McCann:
6.1 cão de odor de cadáver:
* em duas peças de roupa da Kate McCann
* numa peça de roupa da menor Madeleine
* no peluche da menor Madeleine
* foi detectado o odor de cadáver, quando o peluche ainda se encontrava no interior da residência (à data da família).
* foi confirmado em condições fora da casa;

7. o veículo usado pela família McCann:
7.1 cão de odor de cadáver:
* marcou a chave do veículo;
* marcou no interior da bagageiro do veiculo;
7.2 cão de sangue:
* marcou a chave do veículo;
* marcou no interior da bagageira do veículo;

8. veículo usado por um amiga da família, que esteve hospedado no mesmo aldeamento, coincidindo alguns dos dias:
* NADA foi detectado por qualquer dos cães;

9. todos os veículos usados pelo arguido Robert Murat e pessoas que lhe estão próximas:
* NADA foi detectado por qualquer dos cães.

(num total de dez veículos o cão de odor de cadáver e o de odor de sangue apenas fizeram marcação no veículo da família McCann, alugado a 27 de Maio !!! )

***

Os locais e peças marcados e sinalizados pelo cão de sangue encontram-se a ser sujeitas à realização de exames, parte dos quais se encontram concluídos.


Não menos relevante se torna o apuramento dos resultados que apontam ADN de Madeleine como presente no local do apartamento 5 A, por detrás do sofá, local marcado pelo cão de odor de cadáver e, assim, também pelo cão de sangue.

Em todos os locais marcados pelo cão de sangue o laboratório veio a confirmar existir ADN.

***

O relevo mediático dado ao caso e a procura de informação por parte da comunicação social tem levada a uma evolução nas declarações dos pais da menor Madeleine.

Toda a informação que tem vindo a público, tem contribuído para a remontagem da história, adaptando-a a eventuais questões policiais e tentando justificar os indícios e consequente prova que se vai recolhendo.

Vejamos: a comunicação social aventou a hipótese das crianças terem sido 'sedadas' para ficarem a dormir e permitir algum descanso aos pais.

Temporalmente distante o pai de Kate, e avô da menor, Brian Healy admite à Comunicação social que a Kate poderá ter dado um medicamento, de nome Calpol, para ajudar a menina (os meninos ? ! ) a dormir, ao contrário do que a sua filha Kate tem afirmado.

A Kate, através do elemento, da PJ, de ligação à família, veio perguntar a razão pela qual não tinham sido recolhidas amostras aos gémeos de modo a despistar a hipótese. Bem sabia que, na altura tinham já decorrido mais de três meses e que segundo especialistas na matéria inviabiliza tal exame.

Foi mais longe nessa afirmação dizendo que poderíamos - investigação – verificar que o raptor tinha sedado a Madeleine, para consumar o seu acto e também tinha sedado os gémeos.... para consumar o seu acto ... porém não o disse no momento propício.

Certo como sabemos, é que os sedativos possuem tempos de acção e tempos para serem expelidos, que varia entre as seis e as duzentas horas.

As valências médicas, do casal McCann, são suficientes para terem conhecimento deste dado científico, mesmo que nunca na sua actividade profissional tenham realizado trabalhos de toxicologia.

Quando a comunicação social informou que tinha sido 'detectado sangue no carro e apartamento' a Kate e membros da família vieram a público com a desculpa simples de ter sido alguém, com acesso ao apartamento. o colocar as provas.

Agora admitem mesmo ter sido o órgão de investigação criminal a colocar provas 'falsas' ( sangue e odores de cadáver no apartamento e veículo )

A Kate, na tentativa de justificação do sangue, terá ido mais longe, informando, nessa ocasião que, a Madeleine tinha , por vezes, hemorragias nasais.

***

No dia em que foi efectuada a busca domiciliária, na casa do casal McCann , no quarto do casal foram encontrados escritos, mas também uma bíblia, escrita em língua inglesa. Estava aberta nas páginas de que se juntam cópias, com a respectiva tradução.


«Então disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor. Tornou Natã a Davi: Também o Senhor perdoou o teu pecado; não morreras. Todavia, porquanto com este feito deste lugar a que os inimigos do Senhor blasfemem, o filho que te nasceu certamente morrerá. Então Natã foi para sua casa. Depois o Senhor feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, de sorte que adoeceu gravemente. Davi, pois, buscou a Deus pela criança, e observou rigoroso jejum e, recolhendo-se, passava a noite toda prostrado sobre a terra. Então os anciãos da sua casa se puseram ao lado dele para o fazerem levantar-se da terra; porém ele não quis, nem comeu com eles. 18 Ao sétimo dia a criança morreu(...)Samuel 12:13»



***

O RAPTO é uma situação com a qual, no Reino Unido, infelizmente muito da opinião pública se encontra familiarizada, devido à 'cota' deste tipo de crime.

Pessoas inteligentes deveriam ter o conhecimento mínimo de que a publicidade é prejudicial à investigação de um crime de rapto e sobretudo à segurança da pessoa que foi raptada.

Deveriam esperar pelos decisões das autoridades policiais, havendo fortes indícios de que alteram a cena do crime, mexendo em alguns móveis.

As alterações são indicadores de simulação.

***

Na noite do desaparecimento da menina Madeleine a família foi contactada por uma senhora que se identificou com documentos que a credenciavam como pessoa que trabalha com menores no Reino Unido.

Identificou-se com os documentos / credenciais em uso no Reino Unido, junto de hospitais e centros de atendimento de menores. Dispôs-se a ajudar no que fosse necessário. Sem qualquer dúvida esta pessoa podia ter sido uma ajuda, até quanto a procedimentos, mas foi dispensada.

***

De todo o apurado, os factos apontam no sentido de que a morte de Madeleine McCann ocorreu, na noite de 03 de Maio de 2007, no interior do apartamento 5A, do resort Ocean Club da Praia da Luz, ocupado pelo casal McCann e pelos três filhos;

Verifica-se coincidência entre a sinalização de odor de cadáver e sangue, conforme o Relatório Laboratorial (parcial) já junto aos Autos;

Tal sinalização, ocorreu por detrás do sofá da sala (odor de cadáver / sangue / ADN), o que indubitavelmente prova que tal móvel foi obviamente encostado por alguém, após a verificação da morte de Madeleine McCann. Face aos poucos indicias recolhidos no local e sujeitos a exame, é de admitir a forte hipótese de ter o mesmo sido sujeito a "lavagem” no momento seguinte à ocorrência da morte;


De igual modo, o peluche utilizado pela menina morta, encontrado à cabeceira da cama onde normalmente dormia (vide fotos de inspecção inicial) revela que alguém a ali colocou em momento posterior à morte, uma vez que a própria cama nada tem de odor de cadáver. Isto é, ocorreu uma modificação intencional, no sentido de simular um quadro não correspondente à realidade, numa tentativa de aproveitamento para a simulação de quadro de rapto;

Acrescenta-se ainda que o cão de odor de cadáver sinalizou fortemente o quarto onde o casal McCann dormia, o que pode indiciar a deslocação do corpo do local da morte (sala de estar), para zona não visível em tal quarto;

Acresce que uma nova forte marcação de odor de cadáver foi efectuada em roupas de Kate McCann, o que pode indiciar que a mesma esteve em contacto com o cadáver;

Igualmente existe forte marcação de odor de cadáver no carro utilizado pelo casal McCann (desde 27 de Maio de 2007), o que conjugado com a marcação do cão de sangue e fundamentado em análises laboratoriais, constantes nos Autos, que indicam a presença de ADN da menor Madeleine McCann na bagageira da viatura, são de forma a não excluir a forte hipótese que esta viatura possa ter sido utilizada para um eventual translado do cadáver, após 24 dias da ocorrência da morte;

Não é de desprezar a indicação do cão de odor de cadáver, bem como do cão de sangue, na chave do veículo atrás referido, vindo o laboratório a confirmar a existência de ADN de Gerald McCann. Acrescenta-se que esta última sinalização foi conseguida pelos cães após a chave ter sido colocada longe do veículo e em local não visível.

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Por todo o exposto, RESULTA dos Autos QUE:

A) a menor Madeleine McCann morreu no apartamento 5 A do Ocean Club da Praia da Luz, na noite de 03 de Maio de 2007;

B) ocorreu uma simulação de rapto;

C) de forma a impossibilitar a morte da menor antes das 22H00, foi inventada uma situação de vigilância das crianças do casal McCann enquanto dormiam;

D) Kate McCann e Gerald McCann estão envolvidos na ocultação do cadáver da sua filha Madeleine McCann;

E) neste momento, parece não existirem ainda fortes indícios de que a morte da menor não tenha ocorrido devido a um trágico acidente;

F) do apurado até ao momento, tudo indica que o casal McCann, como autodefesa, não queira fazer a entrega de forma imediata e voluntária do cadáver, existindo uma forte probabilidade de o mesmo ter sido transladado do local inicial de deposição. Esta situação é susceptível de levantar questões quanto às circunstâncias em que ocorreu a morte da menor.

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Assim, sugere-se a remessa dos Autos ao Exm.º Sr. Procurador da República, no círculo de Lagos, PARA:

G) eventual novo interrogatório dos arguidos Kate e Gerald McCann;

H) avaliar da aplicação de medida de coacção que se julgar adequada ao caso.

Tendo-se no decurso da busca domiciliária à residência do casal McCann, encontrado um manuscrito tipo diário, já fotocopiado, possivelmente de autoria de Kate McCan; admitindo-se que o mesmo possa conter elementos que permitam atingir a verdade material dos factos, PROPÕE-SE QUE:

I) as fotocópias daquele documento sejam presentes ao M.mo Juiz tendo em vista a sua apreensão, se legal, tradução e eventual recolha de elementos a carrear para os autos, por necessários à investigação.

Face a todo o exposto, nesta data, submeto os autos à vossa apreciação para que determine o que tiver por conveniente, pelo que abro:


CONCLUSÃO

Aos dez dias do mês de Setembro do ano de dois e sete


O Inspector Chefe,

(Tavares de Almeida)



in: Processo 201/07.0 GALGS - págs 2587 a 2602