terça-feira, 12 de junho de 2012

Novidade nunca foi. Resumo de um estudo.




Imprensa 'usada' para manter desaparecimento no topo da agenda

02 Maio 2009

Uma investigadora do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho considera que os jornalistas foram usados para manter no topo da actualidade o desaparecimento de Madeleine McCann.

"Não tenho dúvidas de que os media foram estrategicamente 'utilizados' para não deixar 'morrer' a história", disse à agência Lusa a professora universitária Madalena Oliveira, numa entrevista por escrito.
Além das "muitas iniciativas" realizadas para "manter o assunto na agenda dos jornalistas", "não podemos ignorar que uma fortíssima máquina de Relações Públicas foi montada à volta dos pais", acrescentou a investigadora, que já apresentou comunicações sobre o assunto em conferências realizadas no estrangeiro.

Desde o início percebeu-se que se estava perante uma "notícia demorada" nos órgãos de comunicação social, que "seduziu a opinião pública", o que terá levado os jornalistas a ficarem "atentos a todos os movimentos" à volta da história, revelando uma "certa vontade, ou quiçá obrigação, de saciar o interesse das audiências", sustenta Madalena Oliveira.

Aqui colocam-se duas questões opostas e surge a hipótese da "perversão do próprio jornalismo", que está excluída se o papel dos repórteres for o de "mandatários da vontade e do direito dos cidadãos a serem informados", mas tem que ser admitida se as empresas de comunicação virem no caso "uma estratégia de dar ao público o que o público quer".

O processo mediático em torno do desaparecimento da criança inglesa no Algarve "ilustra um certa tendência do jornalismo contemporâneo para privilegiar a carga emotiva da actualidade", naquilo a que o investigador francês Mac Litz chama "jornalismo compassivo", considera a docente universitária.

Um aspecto que se torna relevante é o crescente interesse mediático de questões relativas a crianças, neste caso aumentado por uma suspeita de crime, o envolvimento de estrangeiros e as inevitáveis implicações entre as diplomacias de Portugal e Reino Unido, acentua ainda.

Tudo somado, está-se perante um "caso que os estudos jornalísticos não vão poder ignorar", pela exposição à opinião pública que revelou "uma prática jornalística muito ao jeito do folhetim", ao ter transformado o desaparecimento de Maddie numa "espécie de novela ou num mistério irresolúvel".


"Este é um caso que ficará como um marco na história do jornalismo português ou até mesmo internacional", ao ilustrar a história de como "uma criança individualmente pode movimentar a opinião pública de um país inteiro", conclui Madalena Oliveira.
Madeleine McCann desapareceu a 03 de Maio de 2007 do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, mais novos, num apartamento do aldeamento turístico "Ocean Club", na Praia da Luz, no concelho de Lagos, no Algarve.
A Polícia Judiciária inicialmente apontou para a hipótese de rapto, mas mais tarde admitiu o homicídio da criança. As autoridades, contudo, nunca conseguiram apurar o que realmente aconteceu a Madeleine McCann, que hoje estaria prestes a fazer seis anos de idade.

AMN
Lusa

Ler em  língua portuguesa ou em inglês:






Investigadora: