quarta-feira, 25 de abril de 2012

Em nome de Maddie

Carlos de Abreu Amorim, Professor universitário







Em teu nome, menina dos cabelos de luz, tantos choraram depois de mais nada conseguirem esperar. Em teu nome, menina dos olhos longos, zangaram-se as polícias e os países fitaram-se receosos e melindrados.
Dizem que por ti, menina do rosto que irradia, os governos pesaram, combinaram e concluíram. Os jornais imaginaram, acusaram e puniram. Toda a gente te definiu o destino mil e uma vezes. E tantas carreiras e glórias se sonharam – tudo por ti, juravam. Mas nunca foi por ti, sempre por eles.
Sabes, menina de todas as meninas que já cá não estão, o poeta Pessoa quis saber qual era o enigma que havia numa princesa do teu país que há muitos anos foi feliz aqui. Invocou-a como ‘Madrinha de Portugal’. 

Partiste muito cedo, esse foi o mistério que não te deixou ser feliz. 

Pode ser que aqui a tua saudade seja mais bem cuidada do que por aqueles que te desampararam.