terça-feira, 24 de abril de 2012

Crianças sem Pais

número crescente de crianças em luto por causa do suicídio dos pais ou mortes em acidente rodoviários e morte súbita.


http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=47661
























A presidente da Associação Perdas e Afectos (APA) alertou hoje para a existência de um número crescente de crianças em luto por causa do suicídio dos pais ou mortes em acidente rodoviários e morte súbita.
O apoio a crianças num cenário de perda dos progenitores tem sido registado pela APA e os sintomas de alarme de que os menores de idade estão em processo de luto são os «pesadelos» e a «incontinência urinária», alertou Lúcia Ferreira, presidente da APA, numa entrevista à Lusa no âmbito do 1.º aniversário daquele organismo.
A melhor forma de ajudar a criança em processo de luto é contar a verdade e nunca utilizar metáforas, avisou Lúcia Ferreira, especialista na área do luto, explicando que pode ser negativo, por exemplo, dizer que «o pai foi para o Jesus, porque era bom», pois essa explicação pode levar a criança a pensar que vai ficar sozinha, porque a mãe também é boa e por isso vai igualmente morrer.
A presidente da APA refere que a taxa de suicídio tem aumentado exponencialmente no 1.º ano do organismo, tal como a taxa de morte súbita de pais de família que são os únicos a trabalhar.
A falta de atenção e o desespero também está conduzir as pessoas a comportamentos de risco na estrada, aumentando os acidentes rodoviários, acrescentou Lúcia Ferreira.
«Infelizmente, têm falecido muitas pessoas, principalmente do sexo masculino, em acidentes rodoviários ou de forma súbita e somos chamados para dar a notícia aos filhos», lamentou a psicóloga, que relaciona o aumento de pedidos de ajuda em todo o tipo de luto com a «crise financeira».
A APA registou também um acréscimo de pedidos de ajuda de pessoas com doenças oncológicas ou que estão numa fase de necessitarem de cuidados paliativos.
«O luto significa qualquer perda significativa que a pessoa tenha», explicou a especialista na área do luto, referindo que situações de «divórcio» e de «desemprego» são outros lutos que podem ocorrer e que necessitam de apoio psicológico.
Combater o «tabu do silêncio» quando há um familiar em fase terminal e ter a coragem para se despedir dessa pessoa enferma, evitar a medicação nos funerais, porque bloqueia a dor, exteriorizar a dor (chorar e gritar) nas cerimónias fúnebres ou não ter vergonha de pedir ajuda são algum dos concelhos que a presidente da APA deixa, tanto às pessoas em processo de luto, como para as potenciais pessoas em luto.
A Associação Perdas e Afectos visa a sensibilização, formação, investigação e apoio na área do luto, tendo sido criada a 29 de Abril de 2011.
A associação intervém na área do luto, mas também nas áreas de comportamentos desviantes, catástrofe e apoio jurídico em acidentes rodoviários ou de trabalho.
Lusa/SOL