quinta-feira, 15 de março de 2012

Paulo Sargento, pessoa de bem, responde



Quinta - feira, 15 de Março de 2012 o Crime. pág. 3

Psicologia da Justiça
Opinião de Paulo Sargento
Docente Universitário

Resposta aso Direito de Resposta da Ex.ma Senhora Dra. Isabel Duarte, advogada do casal McCann

A  Ex.ma Senhora Dra. Isabel Duarte, representante legal dos Senhores Drs. Kate Haely e Gerald McCann, exerceu o seu direito de resposta a um artigo que publiquei neste jornal, na edição de 16 de Fevereiro.

Ora, tal facto só foi possível porque ainda vivemos numa sociedade onde a liberdade de expressão e a responsabilidade a ela inerente constituam prática inequívoca.

Assim, por questões de natureza deontológica, restringi a minha resposta à Ex.ma Senhora Dra. Isabel Duarte à coluna que quinzenalmente assino neste Jornal.

Em primeiro lugar, reitero todo o conteúdo constante no texto que aqui publiquei em 16/02/2012, não lhe retirando sequer uma letra, para que as dúvidas não subsistam sobre o que penso do " caso" Maddie.

Em segundo lugar, registo a acentuada adjectivação do texto produzido pela Ex.ma Senhora Dra. Isabel Duarte. Apreciando ou não o seu estilo da redacção, quero crer que o excesso de qualificativos que povoa a prosa com que nos presenteou não passou de um ornamento estilístico de arte e gosto discutíveis. A não ser assim, algumas dessas palavras correrão o risco de constituir uma ofensa pessoal que, não sendo pecado, atentariam contra a dignidade de um " português bom pai de família", podendo ,destarte, o seu autor incorrer na prática de um crime. Estou certo que o tempo e o local adequados trarão luz a esta minha dúvida.

Em terceiro lugar, a conta a que, pejorativamente, a Ex.ma Senhora Dra. Isabel Duarte alude no seu texto, e da qual sou um dos titulares, destina-se EXCLUSIVAMENTE , repito, EXCLUSIVAMENTE ao pagamento das custas judiciais , relativas a processos que envolvem o ex- Inspector, Dr. Gonçalo Amaral. O dinheiro provém de donativos de cidadãos solidários com o ex- Inspector. A conta só pode ser movimentada por transferência bancária , assinada pelos dois titulares ( eu próprio e uma cidadã norte americana) , e dirigida para as contas dos representantes legais do Dr. Gonçalo Amaral. Trata-se de uma conta de solidariedade com uma causa e com um cidadão e não de uma Fundação.

Em quarto lugar, ao contrário do que a Ex.ma Senhora Dra. Isabel Duarte  afirma não tiro coelhos da cartola, pois não uso tal adereço de cabeça, nem tão pouco me reconheço hábil em artes de prestidigitação.  Assim, importa sublinhar que, quanto aos adiamentos e marcações de julgamentos a que me referi , os factos falam por si, mesmo que a Ilustríssima Advogada os queira negar, apelidando-me de devoto de " teoria da conspiração". E, já agora, para quem atribui a outros as tais "teorias", as menções a " caça-fantasmas", ao uso do Jornal " o Crime" para defesa de trafulhices, ou mesmo, a referência ao actual Advogado do ex- Inspector, Dr. Gonçalo Amaral, são bem reveladoras de quem merece o prémio- " Devoto da Teoria da Conspiração". Contudo, relativamente a este aspecto, quer pela gravidade dos conteúdos quer pela referência a terceiros, nada mais adiantarei.

Em quinto e último lugar , partilhando o agnosticismo reclamado, devo reconhecer que, pelo menos, num aspecto estou completamente de acordo com a Ex.ma Senhora Dra. Isabel Duarte : os crimes e os pecados pagam-se cá na terra!
a carta de ID ou Costa Pereira? 

DIREITO DE RESPOSTA

A propósito de um texto de opinião de Paulo Sargento, publicado na edição de 16 de Fevereiro, recebemos da representante legal de Gerry e Kate McCann o direito de resposta que a seguir reproduzimos.
Exercido por Isabel Duarte, Kate Healy e Gerald McCann.
O docente universitário Paulo Sargento é profeta a clamar num deserto povoado. As suas razões, por certo altruístas e desinteressadas, levam-no a escrever como um deus, por linhas tortas, usando a via produtiva da prosa vaga e reticente de alguns escritores famosos. E porque defende a sua tribo, a dos bons, parece convivente e ficas. Eu defendo os outros e, ao docente universitário que agora se ocupa também do meu nome, só tenho a agradecer a capacidade de resistência que ele e os seus bons amigos ajudaram a melhorar.
Aquele repositório de subentendidos, contém, no entanto, alguns factos falsos ou ofensivos, a que passo a responder:

Quanto aos "alegados milhões" que Gonçalo Amaral ganhou à custa de uma investigação criminal inútil, que conduziu, e à custa da vida e nome de uma família inteira, de cujo assassinato de carácter , ele, o docente universitário a que respondo e os restantes integrantes do grupo dos bons, se ocupam, não são " alegados milhões". São, para alguém  que ganhe o seu sustento a trabalhar, uma pequena fortuna comprovada documentalmente e conseguida num período de doze meses , que remunerou o escritor Gonçalo Amaral, numa média mensal, repito, média mensal, de mais de €28.000,00. Esse dinheiro, no entanto, desapareceu, talvez como sinais de fumo que só podem ser lidos pelos " entendidos".. A isso acresce a existência de uma conta bancária- que só não é secreta porque um senhor inglês altruísta a tem vindo a difundir onde pode, para, por essa via, receber dinheiro de incautos, e que não só é de Gonçalo Amaral porque o ex-inspector tem dívidas ao fisco, ao irmão e a bancos- para onde os apoiantes do grupo enviam contribuições financeiras , presumem eles destinadas a moderar as necessidades judiciais do cidadão em causa, por sua vez apoiado pela Segurança Social, isto é, pelos meus impostos. Nunca, até hoje, algum português bom pai de família- aquele português alvo do lixo mediático criado, promovido e incentivado pelo grupo dos bons ao abrigo da liberdade de expressão e opinião- soube que dinheiro é esse, para onde vai e para que é realmente vem,  enquanto o docente universitário e o grupo, por meio de distracções organizadas e cirurgicamente difundidas, se ocupam a discutir o fundo destinado a investigar o paradeiro de Madeleine McCann, que é público e tem contas fiscalizadas e fiscalizáveis.
Quanto aos adiamentos e marcações de julgamentos de que fala o psicólogo da justiça como se estivesse a tirar coelhos da cartola, aplicando-lhes a teoria da conspiração de que é devoto, um pouco a montante do tempo  de que se ocupa, dir-se-á que surpreendente seria que dois julgamentos em que Gonçalo Amaral está implicado, um criminal e outro cível, um na comarca de Faro e outro na comarca de Lisboa, tivessem sido marcados para o mesmo dia e à mesma hora. Lá que foram adiados, isso foram,mas, quanto a isso, aos adeptos da teoria da conspiração diriam que surpreendente seria o facto de o primeiro adiamento ter ocorrido no processo em que Gonçalo Amaral é demandado e não aquele em que é demandante. E espantosa surpresa assinalariam ainda, esses adeptos da teoria da conspiração, quanto ao facto de, pouco tempo antes do julgamento de Lisboa, o senhor ex- inspector ter ficado sem advogado, que, expressamente renunciou à procuração.
Quanto à venda do livro que alimenta tantas famílias, distrai muitas mais e, sobretudo, justifica magistralmente erros inqualificáveis do processo aberto por força do desaparecimento de Madeleine McCann, nada tenho a dizer, a não ser que, sendo agnóstica, antes de ser advogada, sei que os crimes e até os pecados, se pagam cá na terra, mesmo que os pecadores defendam a sua trafulhice  contratando caça-fantasmas ou usando o jornal " o Crime", cuja gerente tem o seu domicílio no escritório do actual advogado de Gonçalo Amaral.

                                                                               Assina Isabel Duarte