sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Psicologia da Justiça. Artigo de opinião.

Opinião de Paulo Sargento - Docente Universitário.

Quem se lembra de Amilton Nicolas Bento ?

Semanário O Crime, pág. 3.









































Amilton Nicolas Bento é um cidadão português, actualmente com 32 anos , cuja vida dava um filme. Este cidadão que emigrou , em 2001, para Inglaterra , na companhia de um amigo, sobreviveu a uma das maiores provocações humanas : lutar contra a injustiça, xenofobia e o racismo.
Em Inglaterra, Nicolas conheceu uma jovem polaca, Kamila Gartska , por quem se apaixonou. Durante alguns anos , Nicolas e a jovem estudante namoraram. Chegaram, até,  a viver em Portugal, mas Kamila não se deu bem na ocidental praia lusitana e o jovem casal voltou a terras de Sua Majestade.
Num dia frio de Dezembro de 2005, Kamila não volta a casa e Nicolas, preocupado, relata o facto à polícia britânica, entregando alguns pertences de Kamila. Cerca de um mês mais tarde, Kamila é encontrada morta, num rio. A autópsia é inconclusiva. Passados meses  Nicolas, que estava de novo vivendo em Portugal , é chamado a Inglaterra para ser interrogado e é preso, sendo depois condenado a prisão perpétua pelo alegado homicídio de Kamilla.
Um tribunal de júri considerou Nicolas culpado. Tal decisão baseou-se nas " provas " de um detective e alegado perito em análise forense de vídeo e imagem ( falso especialista do FBI) - Casey Coudle - cujos serviços foram contratados pelo célebre Forensic Science Service britânico ( Serviço de Ciências Forenses)- o mesmo que analisou as provas do " caso Maddie".
Isto, apesar de Nicolas , na sua gaguez intensa e no seu óbvio daltonismo ( que os peritos nem sequer repararam ) tentar defender a sua inocência.
Passados dois anos, o Supremo Tribunal da Justiça que condenou Nicolas, após se descobrirem erros graves da investigação criminal liderada pelo Forensic Science Service e pelo seu especialista contratado que acabou por se suicidar.
A Amilton Nicolas Bento nem um pedido de desculpas , nem tão pouco o pagamento da viagem para Portugal. Nicolas regressa no seu Vauxall e a família empenhou-se em 100.000 euros para pagar a sua defesa.. Tenho de pensar que, se Nicolas não fosse português e não evidenciasse a tez africana, teria outro tratamento dos " James Bond " e das grisalhas cabeças decisoras.
Mas se Inglaterra nada disse, Portugal mudo ficou. Se Inglaterra se esqueceu , Portugal não se lembra. E este homem e a sua família continuam pagando as dívidas de uma defesa de um crime que não cometeu.
Tentei lançar uma petição on-line que, inexplicavelmente, deixou de poder ser assinada no signatário n.º 1439.
Quando é que Portugal se solidariza com os seus cidadãos ?
Tudo farei para reacender o interesse por este caso. Prometo que o Estado português irá ser lembrado do caso nas próximas semanas.
Que os portugueses não fiquem insensíveis ao drama de Nicolas e da sua família. A solidariedade com este caso simboliza, entre outras coisas, o amor à Justiça!


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Opinião de Paulo Sargento
Docente Universitário.




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