quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pat Brown - entrevista para Algarve123


Aqui, copiado, em português. Mas, no

http://joana-morais.blogspot.com/2012/02/american-criminal-profiler-probes.html em 3 línguas e com fotos.











Por Natasha Donn

Translations Bruno Filipe Pires (PT), Astrid Kuehl (DE)| Photos © Bruno Filipe Pires/Pat Brown 2012

Investigadora americana investiga caso McCann

«Chegou da capital dos Estados Unidos a Portugal com uma mala de viagem bastante usada e um detector de metais. Na bagagem, trouxe ainda uma sonda para pesquisas no solo e uma pá. Pat Brown, 56 anos, profiler criminal, autora e colaboradora de vários programas televisivos nos Estados Unidos da América, veio em missão por conta própria. A notícia da sua viagem ao Algarve fez eco nas redes sociais, dando origem a mensagens de apoio e de escárnio. Nada que afectasse a determinação de Pat Brown. “Isto não tem a ver com publicidade para a minha pessoa. Apenas vim à procura da verdade”, disse-nos em entrevista. Uns dias antes, Brown esteve em Lisboa, para falar com Gonçalo Amaral e outros que também já sofreram as consequências por procurarem desvendar um dos maiores mistérios da actualidade.

«O próximo livro a ser publicado pela profiler criminal Pat Brown vai ter o intrigante título «Only the Truth». É uma obra de ficção que narra a história de um homem que se apaixona por uma mulher que vai ser presa por homicídio. No prelo está também um livro não-ficcional para pais com o título «How to Save your Daughter’s Life». Finalmente, 2013 vai ser o culminar de um longo projecto de pesquisa histórica sobre o assassinato da rainha egípcia Cleópatra. O livro, a publicar, revela todas as descobertas que fez durante a produção de um documentário para o Discovery Channel, em 2004.»

Uma das nossas primeiras perguntas foi por que motivo uma investigadora criminal norte-americana – e celebridade televisiva – sentiu necessidade de atravessar o Atlântico até Portugal para rever o caso de uma criança que está desaparecida há quase cinco anos?

“Por duas razões”, respondeu. “A primeira é que porque sempre estive muito empenhada na busca pela verdade. Isso não é algo que me faça popular, mas é algo que respeito mais do que a minha própria reputação, até porque este caso ameaça prejudicar a forma como as investigações sobre pessoas desaparecidas são feitas.”

“Temos aqui uma situação na qual há dois pais que se recusaram a cooperar totalmente com a investigação policial – que se recusaram a responder a questões, que mudaram as versões dos seus depoimentos e escaparam à jurisdição – e que depois contaram a sua história da forma em que querem que acreditemos, levaram-na à imprensa, e pediram ao público para doar dinheiro para um fundo destinado a pagar as despesas da procura por uma criança que, estatisticamente falando, muito provavelmente já estará morta”, argumenta.

“Posso compreender que pais em luto possam fazer coisas insensatas, mas nunca tinha visto antes pais portarem-se assim. As suas atitudes abriram as portas à especulação”, diz.

“A outra razão é que quero demonstrar apoio para com Gonçalo Amaral e a liberdade de expressão.”

Como é sabido, o ex-inspector da Polícia Judiciária que na altura coordenou a investigação criminal do caso, tem um litígio legal com Kate e Gerry McCann, por causa da publicação do seu controverso livro «Maddie, A Verdade da Mentira». Está acusado de difamação, porque o livro sustenta a sua tese que a filha do casal britânico morreu no apartamento 5A na noite de 3 de Maio de 2007. O julgamento estava inicialmente marcado para os dias 9 e 10 de Fevereiro, mas acabou por ser adiado.

Depois de ser ter encontrado com Amaral, Pat visitou o local onde tudo aconteceu em busca de novos dados. Perguntamoslhe se encontrou alguma coisa na Praia da Luz?

“Sim, definitivamente. Descobri mais sobre a situação na rua. Descobri mais sobre as fechaduras e as portas e como funcionam; como a persiana e a janela seriam impossíveis de abrir a partir do exterior, e também sobre o tipo de terreno aqui. Mas no fundo, a minha linha de pensamento ficou na mesma. Há duas respostas simples para este crime.”

“A resposta mais simples é que Madeleine foi raptada por um predador local, e neste caso, ela teria sido morta, quase de certeza, nas duas ou três horas imediatamente a seguir. A segunda resposta mais simples é que ela morreu num trágico acidente e o corpo foi descartado.”

“Para eliminar a segunda resposta mais simples, temos de estabelecer, sem quaisquer dúvidas, que se tratou de um rapto – e isso não aconteceu!” Então, perguntamos a Pat Brown se acredita, tal como Gonçalo Amaral, que é necessária uma reconstituição da noite em que a criança de 3 anos de idade desapareceu?

“Obviamente que sim! E isso é algo que eles se têm sistematicamente recusado a fazer – todos eles, os McCanns e o grupo de amigos que estavam no restaurante Tapas! Os McCanns em particular têm sido os seus próprios piores inimigos. Eles poderiam providenciar respostas de várias formas, ao participarem numa reconstituição, ou a submeterem-se a um teste no polígrafo. Portanto, como vê, isto tem de ser eliminado para que a primeira resposta mais simples tenha as mais altas probabilidades”, diz.

“Outro aspecto que verdadeiramente me incomoda é a promoção da mitologia. As redes de pedofilia e de sexo infantil são os novos papões. Cada pai tem vindo a ser convencido que deve temer a possibilidade da sua criança cair nestas situações – mas a verdade é que estas redes não operam em complexos hoteleiros. Se uma rede de pedofilia quer uma criança, agarra uma na rua, sobretudo em meios mais pobres e desfavorecidos. Não vai roubar uma criança da classe média alta da sua cama de férias – particularmente quando – e se é que as histórias a que temos vindo a ser convencidos a acreditar são verdadeiras – todos os pais estavam a saltar da mesa para os seus quartos a cada 15 minutos para verem se as crianças estavam bem! Qualquer raptor perderia a paciência a pensar quando é que teria uma oportunidade de entrar no apartamento!”

A experiência de Brown enquanto profiler criminal começa já depois dos 40 anos de idade. Antes, trabalhou como intérprete de linguagem gestual nas urgências de vários hospitais durante mais deuma década. Durante esses anos, Brown diz ter “visto tudo”: ferimentos provocados por tiros de caçadeiras, mortes, violações, punhaladas, vítimas e vilões. A experiência ensinou-lhe muito sobre a vida, o crime e a circunstância – e certo dia, viu-se ela própria envolvida num caso. Durante quatro semanas, alugou um quarto a um homem que acredita que deveria ter sido o principal suspeito de um brutal homicídio sexual. Esta má experiência marcou o início do seu interesse em traçar perfis e em como os casos de homicídios eram tratados. Demorou seis anos até a polícia finalmente interrogar o homem e declarálo suspeito no dito assassinato. Foi também este caso que a levou a especializar-se numa profissão que, invariavelmente, só é chamada à acção quando já é demasiado tarde.

“Uma das minhas ambições é fazer dos profilers um prérequisito em todas as forças policiais. Precisamos de ser chamados logo de início. E os locais dos crimes precisam de ser melhor processados.”

“Se os pais tivessem sido logo separados quando a polícia chegou ao local, tal como todos os outros envolvidos, teria sido muito mais fácil verificar todos os depoimentos e versões, e poderia ter sido estabelecida uma verdadeira cronologia dos factos”.

“Neste caso, os McCanns e os seus amigos tiveram vários dias para conferenciarem uns com os outros. O resultado é que, talvez de modo às coisas parecerem melhores, ou para explicarem coisas que são embaraçosas, eles talvez tenham adulterado a cronologia para além daquilo que os poderia comprometer”, diz. Isto é, se os McCanns estiveram envolvidos na morte da sua filha, tiveram uma oportunidade prévia de organizarem as suas histórias.

Em última análise, será que alguma vez este caso será resolvido?

“Se puder ser provado que o Gerry McCann estava na mesa do jantar no restaurante Tapas entre as 9h15 e as 9h55” – hora em que um homem muito parecido com ele foi visto por uma família irlandesa, a carregar ao ombro uma criança em pijama cor-de-rosa, em direcção à praia – “então, isso seria a prova que realmente teria havido um rapto.

”Se os cães que detectam vestígios de cadáver estiverem certos” – foram trazidos ao local três meses depois do desaparecimento de Madeleine, e reagiram positivamente à possibilidade de um corpo morto ter estado no apartamento – “então, não houve qualquer rapto.” E para que estes dois detalhes possam ser determinados com rigor, voltamos ao raciocínio de Gonçalo Amaral que se tem batido pela reconstituição do que aconteceu – utilizando todas as partes envolvidas.

“Mas, pelo que sei, não me parece que isso irá acontecer em breve!”, lamenta Brown, abanando a cabeça. “Honestamente, não sei o que a Metropolitan Police está a fazer com a sua revisão actual do caso em curso, e que está a custar milhões de libras. Pelo que vejo, eles ainda não começaram por onde deveriam ter começado – com uma reconstituição da noite do desaparecimento”.

“É aí que está a melhor chave para chegar à verdade!”


Enviar um comentário