sábado, 25 de fevereiro de 2012

Len Port - livros, blog e interesses.

Len Port

Gente num lugar à parte






Es­cri­to­res de todos os gé­ne­ros têm abor­dado o Al­garve – al­guns para ba­te­rem em re­ti­rada, ou­tros para exal­ta­rem as suas vir­tu­des. Len Port é de­fi­ni­ti­va­mente um des­tes úl­ti­mos. A viver na re­gião desde os anos 1980, tem do­cu­men­tado a vida e o quo­ti­di­ano […]


http://www.algarve123.com/pt/Artigos/3-1522/Gente_num_lugar_a_parte

Natasha Donn, Edição 717 (23 Fev 2012)
Len Port

Sobre Fátima, falsos papas, Maddie e outras questões eternas


Natasha Donn, Edição 661 (20 Jan 2011)



É um escritor com uma forma invulgar de alcançar a fama. Viu o seu primeiro grande livro a ser publicado num idioma estrangeiro – e ainda aguarda que uma editora de língua inglesa se interesse pelo original. «O Fenómeno de Fátima: Graça divina, ilusão ou fraude?» é um grande trabalho de investigação jornalística, e provavelmente, é o único livro sobre o assunto a ser escrito por alguém que não acredita em Deus - mas que se esforçou por analisar ao milímetro cada aspecto deste mito religioso conhecido em todo o mundo. Len Port não é apenas um homem de letras e um jornalista de longa data. Começou a carreira como naturalista e habituou-se a ver a vida ao microscópio…
“Temos que nos questionar. Ninguém deve aceitar seja o que for apenas pela aparência. É preciso usar a inteligência para juntar provas, e tirar as nossas próprias conclusões”. Len não estava a tentar impressionar ninguém. Explicava-nos as filosofias básicas de Buda e Einstein. Claro, não é preciso passar muito tempo na companhia deste homem para perceber que há um escritor prolífico dentro dele.
O ano passado, a Guerra & Paz, Editores (a mesma chancela que publicou o controverso «Maddie - a verdade da Mentira» de Gonçalo Amaral) lançou o livro de Len Port no mercado português numa data coincidente com a visita do Papa Bento XVI a Fátima. Na altura, Len Port, 69 anos, ainda não tinha descoberto “a maravilha” de escrever blogs na Internet.
Actualmente, mantém dois blogs actualizados – um sobre notícias do Algarve, e outro sobre a fauna e a flora desta região. Aos poucos, vai aprendendo os vários truques disponíveis para os autores virtuais.
“Está tudo nas palavras-chave”, diz com satisfação. “Se você conseguir juntar uma quantidade considerável de boas palavras-chave num texto, é possível que seja lido em todo o mundo!”
No dia da nossa visita, Len estava a terminar mais uma pérola – um artigo que junta tópicos como o príncipe William de Inglaterra e a sua noiva, a lua de mel real, o Algarve e Madeleine McCann. Confuso? A última história que escreveu sobre o caso foi lida por “milhares de pessoas por todo o mundo”, portanto, esta última certamente também atrairá uma atenção semelhante.
Durante o Natal, por exemplo, Len Port verificou as estatísticas e constatou que tem leitores em Espanha, Alemanha, Reino Unido, México, Singapura e Finlândia.
“Quando vi Finlândia, pensei – consegui! Até o pai natal lê o meu blog!”, brinca.
Mas apesar do humor ser muito importante na vida de Len Port, é a verdade que tem o papel principal. É conhecido por ser um jornalista que escreve sempre a verdade (pelo menos, é o que diz às pessoas) e a verdade é a base de todo o seu trabalho.
O primeiro livro que escreveu depois de ter chegado aqui, das suas muitas viagens pelo globo – como correspondente nalgumas das zonas mais conturbadas do mundo – foi um guia turístico de sucesso em inglês com o título «Get to Know the Algarve».
“Escrevi-o pela mesma razão que escrevi o livro sobre Fátima. Queria conhecer a história toda”, explica.
Assim, incluiu tudo o que conseguiu no seu guia – aspectos da história humana e natural, geografia, clima, políticas.
“Quis responder a todas as questões que os visitantes poderiam perguntar”, diz.
Foi “bastante ajudado” pela sua companheira dos últimos 30 anos, a especialista em villae para férias, Joan Gay. Juntos fizeram uma maratona de descobertas, e a verdade é que o livro tem sido reeditado e actualizado desde que saiu originalmente em 1993.
A sua obsessão com Fátima, contudo, foi algo muito diferente. Começou por ser uma coisa, e na realidade, acabou noutra completamente diferente.
“Inicialmente, não mergulhei na história de Fátima com a intenção de divulgá-la às pessoas, nem de escrever um livro”, revela.
“Quis descobrir o que realmente aconteceu – ou melhor, o que se diz que terá acontecido – em Fátima, em 1917, e como a história se desenvolveu desde então até aos dias de hoje. Quase tudo o que foi escrito sobre Fátima ao longo dos anos tem sido escrito sobre o limitado e subjectivo ponto de vista católico”, acrescenta.
“Quis conhecer as visões do maior número de pessoas relevantes possível, quer de dentro, quer de fora da Igreja Católica, antes de formular as minhas próprias conclusões”.
“Tal como digo no prefácio do livro, os leitores não vão partilhar de todas as opiniões expressas no livro. É inevitável que alguns dos conteúdos vão provocar discórdia, reprovação e talvez até reacções mais fortes. Mas o objectivo do livro é trazer luz, muito mais do que gerar agitação. Não é um livro para pessoas que são intolerantes em relação às opiniões que divergem das suas próprias. É suposto ser factualmente informativo e estimulante para o pensamento crítico, sem ser deliberadamente ofensivo. É realmente um livro para todos aqueles que são curiosos e têm uma mente aberta, que gostam de questionar, observar e pensar por si mesmos”, acrescenta.
“O livro foca-se em Fátima, mas na realidade é sobre um tema muito mais vasto e abrangente chamado fé, ou sobre a rejeição da ideia de sobrenatural”.
“Talvez seja por isso que eu não tenho sido inundado com propostas de publicação. Talvez a maioria dos potenciais leitores sejam jovens cujas mentes ainda são terrenos férteis”.
“Gosto de pensar que a minha mente ainda é receptiva a todas as possibilidades de opinião, mas prefiro sempre princípios lógicos e razoáveis que aceitar dogmas”, diz.
Em parte alguma do livro Len Port dá qualquer sugestão vaga à sua própria interpretação da história, mas é isso que se espera de uma investigação jornalística.
Certamente, o livro abre uma janela para um momento extremamente complexo da história de Portugal – social e político – é uma verdadeira enciclopédia que encoraja aquilo que o autor (tal como Buda e Einstein) defendiam: levantar questões.
Será que os pequenos três pastorinhos realmente viram o anjo da paz, seguido pela Virgem Maria? Será que os milhares de peregrinos realmente viram o milagre do sol? Ou será que tudo foi um intricado embuste montado pela Igreja Católica para manipular as pessoas e mantê-las controladas numa altura em que os ideais do comunismo começam a alastrar-se?
E será que o Vaticano tem sido infiltrado por um grupo de papas anticristo, apoiados por dissidentes da maçonaria, desde os anos 1960?
Muito parecido com um «Código Da Vinci» da vida real, baseado numa pesquisa transparente, apenas se pode esperar que a obra tenha êxito em encontrar uma editora na sua língua original, para que mais pessoas, para além dos lusófonos possam encontrar as suas próprias respostas a estas questões eternas.
Ao que apuramos, a versão da Guerra & Paz Editores já tem poucos exemplares em stock, mas ainda é possível encomendar on-line ou na maioria das livrarias.
E para todos aqueles que gostariam de descobrir mais sobre os pensamentos deste autor e os seus assuntos sobre a actualidade do Algarve e de Portugal, podem sempre acompanhar os blogs.
“É preciso continuar a aprender ao longo da vida – senão, que mais poderá fazer?” A pergunta é retórica. “Por acaso já tinha dito que estou a experimentar a pintura? Nascer e pôr-do-sol. São sempre diferentes e as cores absolutamente fantásticas”, confidencia-nos…
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