sábado, 7 de janeiro de 2012

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Tentarei ser breve e apontar cinco razões para tal estupefacção.
Razão 1- O Dr. Aragão Correia afirma, de acordo com o referido semanário: “os detectives espanhóis pediram-me para arranjar provas contra Gonçalo Amaral”.( semanário “O Crime” )
05.12.08  

E temos aqui mais um aspecto " interessante"! 







Marcos Aragão Correia, the new member to orkut's ufology community


Hoje, dia 4 de Dezembro, li o que nunca pensei ser possível ler sobre os, já intima e publicamente ligados, casos Maddie e Joana. Não me ocorrem adjectivos, além do ESTUPEFACTO, para qualificar o estado em que fiquei após a leitura, no semanário “O Crime”, da entrevista concedida pelo Ex.mo Senhor Dr. Marcos Aragão Correia, Ilustríssimo Advogado, Assistente de Leonor Cipriano no mediático processo relativo a alegadas torturas por agentes da Polícia Judiciária.
Tentarei ser breve e apontar cinco razões para tal estupefacção.
Razão 1- O Dr. Aragão Correia afirma, de acordo com o referido semanário: “os detectives espanhóis pediram-me para arranjar provas contra Gonçalo Amaral”.
Permitam-me que sublinhe o termo ARRANJAR. Para além de pouco jurídico, este termo encerra, em si mesmo, uma conotação estranha que nos remete para uma concepção depreciativa do que é uma prova. As provas não se ARRANJAM. As provas são evidências que emergem em face de uma investigação. A não existir ARRANJINHOS, deveria o Dr. Aragão Correia, em primeiro lugar, confirmar se usou este vocábulo e, em segundo, explicar o seu sentido no processo que ora patrocina. Ficámos a saber, contudo, que o intuito de tal, digamos, ARRANJINHO, seria o de denegrir a imagem de Gonçalo Amaral, alegadamente pelo facto da Método 3 considerar que se tratava de um inspector que incriminava “sistematicamente, sem quaisquer provas, as mães das meninas desaparecidas”.
Razão 2- O Dr. Aragão Correia assume explicações esotéricas para justificar a investigação criminal e argumentos jurídicos.
Com efeito, parece que as dimensões esotéricas têm tomado algum protagonismo, em ambos os casos. Não tendo absolutamente nada contra nenhum tipo de conhecimento, devo, contudo, realçar que o conhecimento científico apresenta algumas vantagens relativamente a outras formas e metodologias de conhecimento. A mais importante dessas vantagens é, do meu ponto de vista, a possibilidade de reduzirmos os potenciais viezes ou erros das nossas convicções, ideologias, impressões, sensações, ilusões, ou até delírios face a um determinado acontecimento. Isto, porque na Ciência não existem iluminados. Na Ciência existem homens e mulheres que submetem os seus juízos sobre determinados factos a testes empíricos, partilhando os paradigmas e as metodologias de análise utilizadas, tornando-os, assim, acessíveis ao comum dos mortais, adquirindo, desta forma, o valor de DEMONSTRAÇÕES.
Ora, quando algum homem ou mulher é detentor de uma informação por uma via que mais ninguém consegue partilhar ou entender três hipóteses são de colocar:
a)      ou teve essa informação por uma via não consciente e, dessa forma, não entende como conseguiu chegar a essa informação;
b)      ou está a delirar e, portanto, apresenta sintomatologia  psicótica;
c)       ou está a mentir, porque tem um objectivo para tal. 
Respeitando a mediunidade enquanto forma particular de conhecimento, devo, todavia, assumir as minhas reservas relativamente à eficácia das capacidades do Dr. Aragão Correia.
Por que razões?
Porque afirmou que o caso Maddie constituiu a sua primeira “visão” e, COINCIDENTEMENTE, teve lugar logo após uma reunião espírita a que, no seu pleno direito, assistiu. Sorte de principiante, poderíamos pensar. Apesar de considerar a sua “visão” um elemento relevante para a investigação do desaparecimento da menina Madeleine McCann, a Polícia Judiciária parece não ter valorizado esta informação. Mas a Método 3, provavelmente mais apetrechada no que à avaliação das capacidades mediúnicas concerne, submeteu-o  “a um teste para provar se a (sua) mediunidade e a (sua) postura eram ou não credíveis”. Apesar de não divulgar o tipo de teste efectuado, o Dr. Aragão Correia divulga o resultado: “positivo”, obviamente, acrescentemos.
Razão 3 – O Ex.mo Senhor Dr. Marcos Aragão Correia assume-se como um magnânimo que se despojou de quaisquer intuitos materiais.
As nobres razões que iluminam a acção de muitas pessoas com práticas esotéricas são reconhecidas em muito poucos casos e, na minha perspectiva, são, como qualquer acto de solidariedade abnegada, de elogiar.
O Dr. Aragão Correia pretende aumentar a curta lista de prometaicos filantrópicos que, no exclusivo motivo da solidariedade humana e no desprezo pelos bens materiais, vivem a sua vida para ajudar os outros.
Antes de mais, Dr. Aragão Correia, permita-me a seguinte questão: só devemos ajudar os outros que tenham projecção mediática ou tal qualidade não deve constituir motivação para tal? Por que razão socorreu a aflição destes pais e não de outros igualmente “aflitos”?
Se, tanto quanto afirma, leva uma vida financeira sem problemas na Madeira e começou, mesmo, por patrocinar os mergulhos na barragem do Arade, por que razão sublinha o facto de ter recebido ajuda financeira de organizações espíritas?
Para que organização pretende, o Senhor, fazer reverter os direitos de autor do seu livro “As Meninas que Vieram das Estrelas”, que será lançado na oportuna e comercial época natalícia? Seguramente, não quererá engrossar a lista daqueles que estão acusados de ganhar dinheiro à conta da desgraça alheia.
Razão 4 – O Ex.mo Senhor Dr. Marcos Correia Aragão acredita, em associação com outros personagens, que existe uma intervenção dos serviços secretos ingleses e de sociedades secretas (não de natureza espírita, estou seguro), em especial a “Skull and Bones”, à qual afirma que o Presidente George W. Bush pertence, cujo objectivo é o de criar um clima de insegurança para promover a implementação de chips nas crianças.
 Ex.mo Senhor Dr. Marcos Aragão,
O que afirma carece de evidência sob a pena de estarmos a assistir a um fenómeno próximo da síndrome de Truman, condição psicopatológica magistralmente divulgada no filme “O Show de Truman” que contou com a notável interpretação do actor Jim Carrey.
As teorias da conspiração baseadas em sociedades secretas constituem um argumento muito antigo e ocorrem em duas situações: para dissimular aspectos importantes ou comprometedores de algumas situações ou em situações de perturbação mental (em especial, Perturbações psicóticas delirantes e alucinatórias e Esquizofrenia Paranóide).
Lembre-se que o Senhor só identificou uma associação a que pertence: a respeitável Ordem dos Advogados. As outras associações a que pertence são secretas para ter mencionado só otítulo de “espíritas”?
Razão 5 –O Ex.mo Senhor Dr. Marcos Aragão Correia divide para reinar, publicamente, no caso Joana.
Ex.mo Senhor Dr. Aragão Correia,
O Senhor não tem o direito de induzir as pessoas para a inocência de Leonor Cipriano através de insinuações de culpabilidade do seu irmão, João Cipriano, recorrendo a juízos de valor, a extrapolações de documentos periciais anteriores aos factos relativos ao caso pelo qual foi condenado e, muito menos, a justificações esotéricas como a que refere quando afirma que teve uma (outra) “visão” onde na face do referido corriam “rios de sangue”.
Senhor Dr.,
O Senhor tem responsabilidades, no caso, que estão para além das de comum cidadão!
Há limites que não devem ser ultrapassados!

São estas as cinco razões da minha estupefacção.
Agora pergunto:
Que tem a Ordem dos Advogados a dizer sobre isto?
Que tem o Ministério Público a dizer sobre isto?
Que quer dizer o Silêncio dos McCann?
Será que virá perto o dia em que as perícias referidas no artº 159º do Código de Processo Penal se estenderão a mais alguns actores da administração da Justiça?
Fico hoje por aqui, mas prometo continuar com esta reflexão, em memória e respeito de duas (infelizes) estrelas que já foram meninas.



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