sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

“Já só peço justiça”



Dor: Esperança de que surjam novas pistas no julgamento desvanece
(foto do Rui Pedro em Textusa´s Blog)


http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/actualidade/mae-de-rui-pedro-ja-so-peco-justica



A esperança de que novas pistas sobre o paradeiro de Rui Pedro surjam no julgamento, que ontem continuou em Lousada, começa a desvanecer. Filomena, mãe do menino desaparecido aos 11 anos, não desiste, mas o silêncio de Afonso, acusado de rapto, leva--a cada vez mais a acreditar que não será no tribunal que irá descobrir o que aconteceu há mais de 13 anos. Ontem, pediu pela primeira vez a condenação do arguido.




"Já só peço justiça. Não era isto que eu pretendia com o julgamento, eu queria descobrir o que aconteceu ao Pedro, mas, pelo menos, peço que o Afonso seja condenado, que pague pelo que fez, que não saia livre de tudo isto", disse Filomena, visivelmente emocionada.
Na 14ª sessão de julgamento, em que deveriam ter tido lugar as alegações finais, que acabaram por ser adiadas para hoje devido a sucessivos requerimentos (ver caixa), a mãe de Rui Pedro voltou a reafirmar que enquanto for viva vai procurar pela verdade.
"A minha luta é descobrir o que aconteceu ao Pedro e, mesmo depois deste julgamento, não vou perder a esperança. Enquanto for viva, vou continuar a procurar por pistas que me conduzam ao meu filho", explicou.
Ontem, Paulo Gomes, advogado de Afonso Dias, reafirmou a vontade já expressa pelo arguido no início do julgamento, ou seja, que não irá falar sobre o crime de que está acusado e pelo qual incorre nu-ma pena máxima de dez anos de cadeia.
"Depois de toda a prova produzida, entendemos que não iria trazer nenhum benefício ao meu cliente prestar declarações. O sr. Afonso não vai falar em julgamento, pode um dia vir a fazê-lo noutra sede, que não o tribunal", afirmou.
Filomena mostrou-se desiludida, mas confessou que já estava à espera. "Não falou até agora, já esperava", disse.
ALTERAÇÕES PARA SUSTENTAR O RAPTO
Ricardo Sá Fernandes, advogado dos pais de Rui Pedro, requereu ontem algumas alterações não substanciais dos factos constantes na acusação, nomeadamente o de o menino, no dia do desaparecimento, ter estado não uma, mas sim duas vezes com Afonso Dias.
A revelação, feita numa das sessões de julgamento e já noticiada pelo CM, demonstra que, no dia 4 de Março de 1998, o arguido esteve com Rui Pedro por volta das 13h50 junto ao descampado, em Lousada, tendo o encontro sido presenciado pela testemunha Maria Menezes. Cerca de 30 minutos depois, e após pedir autorização à mãe para sair, Rui Pedro encontrou-se novamente com Afonso, a alguns metros do primeiro local, onde foi visto pelos cinco menores que estavam na escola. Foi aí que entrou no carro, ao que tudo indica rumo a Freamunde.
A procuradora do Ministério Público também requereu pequenas alterações que sustentam a tese de rapto, mas o colectivo de juízes decidiu tomar uma posição quanto aos dois requerimentos apenas após as alegações finais, que terão lugar hoje.
Tal poderá levar a que tenha de haver mais uma sessão antes da leitura do acórdão.
COMPORTAMENTO DE AFONSO DIAS ALTERA-SE COM DECORRER DAS SESSÕES
O comportamento de Afonso Dias tem vindo a alterar-se com o decorrer das sessões de julgamento. Está mais agitado e mostra algum nervosismo nas audiências. O camionista, de 35 anos, pede várias vezes ao colectivo de juízes para sair da sala de audiências, especialmente quando são exibidas provas documentais, como vídeos ou fotografias. Afonso chegou mesmo a levar um terço no bolso para algumas das audiências. Ontem, o arguido fez-se acompanhar de um amigo que, tal como o cunhado, tem estado do seu lado no decorrer do julgamento. Os outros familiares mantêm-se ausentes.






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