quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Rui Pedro e Sua Família

Caso Rui Pedro: real e dramático.


Há um novo facto no caso rui Pedro que pode trazer novidades ao processo. Uma tia do menor disse hoje em tribunal que um cliente do escritório em que trabalhava lhe disse que, no dia do desaparecimento, viu uma criança a dirigir se a uma mata com uma prostituta. Precisamente no sítio de onde desapareceu Rui Pedro.
Esta testemunha foi intimada para aparecer ainda hoje no tribunal. Durante a manhã foram ainda chamados sete familiares do arguido, arrolados pelo Ministério Público, que se mantiveram em silêncio.


A testemunha Manuel Pereira disse que passava numa carrinha, no dia  04 de março de 1998, em direção a Paços de Ferreira, e viu a caminhar entre  os arbustos uma mulher e uma criança. 
"Não me lembro de mais nada. Vi-os de costas", afirmou ao Coletivo.
Ao tribunal o comerciante disse várias vezes que não conseguia dizer  a hora em que observou a criança, nem a roupa que o menor levava vestida.
Este depoimento reforça as declarações da prostituta Alcina Dias, a  qual, em audiência, na segunda-feira, garantiu ter estado com Rui Pedro  no dia do desaparecimento, no local indicado hoje pelo comerciante. 
A acusação sustenta neste julgamento que o único arguido seduziu e conduziu  Rui Pedro, então com 11 anos, para um encontro com uma prostituta, após  o qual nunca mais foi visto. 
O depoimento do comerciante ocorreu, a requerimento dos assistentes,  depois de Lúcia Mendonça, tia de Rui Pedro, ter afirmado hoje no tribunal  que um homem lhe tinha dito, poucos dias após o desaparecimento, ter visto  uma criança com uma prostituta. 
O tribunal aceitou de imediato arrolar o comerciante como testemunha  e convocou-o para depor, o que ocorreu poucas horas depois. 
Manuel Pereira esclareceu hoje que esteve a prestar declarações no tribunal  de Lousada poucos dias após o desaparecimento, mas essas, segundo os vários  agentes processuais, não constam dos autos em julgamento. 
A defesa estranhou que só agora, 13 anos após o julgamento, é que a  justiça esteja a dar importância a declarações, as quais, nos dias subsequentes  ao desaparecimento, não terão sido valoradas pelos investigadores, por alegadas  contradições. 
Outra testemunha, Maria do Céu, tia da criança desaparecida, confirmou  que, no dia do desaparecimento, o seu filho, João André, primo Rui Pedro,  lhe contou que o arguido tinha convidado as duas crianças para irem às prostitutas.
A testemunha comunicou isso aos pais de Rui Pedro e às autoridades policiais,  garantindo que, na noite do desaparecimento, no posto local da GNR, o arguido  estava "muito aflito". 
A testemunha garantiu que Afonso Dias se virou para João André e disse  com um ar assustador: "Se és meu amigo, não abras a boca". 
Maria do Céu acrescentou ao tribunal, citando alegadas palavras do arguido  proferidas no posto da GNR: "Em vez de estarem aqui a perder tempo comigo,  mandem fechar as fronteiras enquanto é tempo".  
A testemunha, admitiu, no entanto, que Afonso Dias negou sempre, naquela  noite, ter alguma coisa a ver com o desaparecimento. 
Na sessão desta quarta-feira, a sexta do julgamento, vários familiares  do arguido, incluindo o pai e duas irmãs, arrolados como testemunhas pelo  Ministério Público, remeteram-se ao silêncio. 
O julgamento é retomado no dia 12, com a inquirição de mais algumas  testemunhas, entre as quais cinco inspetores da Polícia Judiciária arrolados  pela defesa por terem participado nas investigações após o desaparecimento.
Para essa sessão está também agendada a visualização de um vídeo de  2004 com a reconstituição dos factos do dia do desaparecimento.  
Lusa
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