quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Rouxinol, o PiuPiu.


Lousada: Inspectores admitiram erros na investigação

PJ esqueceu-se da prostituta (COM VÍDEOS)

João Rouxinol, antigo inspector da Polícia Judiciária do Porto, assumiu ontem em tribunal que Alcina Dias, que terá tido um encontro com Rui Pedro, não foi ouvida logo na altura do desaparecimento por esquecimento. O investigador afirmou que as notícias surgiram em catadupa e que não reparou que a prostituta não tinha prestado depoimento. 

A revelação, feita ontem, na 10ª sessão de julgamento, chocou os pais de Rui Pedro, que pediram publicamente a Almeida Rodrigues, director nacional da Polícia Judiciária, que apure responsabilidades sobre o que aconteceu. Para tal, vão requerer uma reunião. Admitiram ainda a hipótese de avançar judicialmente contra os inspectores que fizeram parte da equipa que em 1998 tomou conta do caso e contra o Estado Português (ver caixa).
Não foi só João Rouxinol que admitiu os erros da investigação, que levaram a que apenas 13 anos depois do desaparecimento, Afonso Dias fosse acusado de rapto qualificado. Outros três inspectores, também arrolados pela defesa, assumiram que a investigação teve muitas falhas. "Dias após o desaparecimento, levei a Alcina ao tribunal para ser ouvida. Sei que naquele dia tal não chegou a acontecer, mas pensei que tivesse sido noutra altura. Estava convencido disso. Realmente houve uma falha", disse Rui Azevedo, inspector reformado.
O exame ao local onde os menores terão visto Rui Pedro entrar no carro de Afonso também não foi registado nos autos. João Rouxinol justificou-se com a falta de meios. "Andámos por tanto lado. Acabámos por não fazer muita coisa", disse.
Ricardo Sá Fernandes exaltou-se com o testemunho do ex--inspector e não conteve a revolta. "O senhor está a tentar lavar-se da sua incompetência."
"ULTRAPASSA OS LIMITES, RAIA O ABSURDO"
Filomena chorou à saída da sala de audiências. Ouvir os inspectores da Judiciária reconhecer que foram cometidos muitos erros durante a investigação foi duro para a mãe do menino. Não conseguiu falar e deixou os comentários para o advogado Ricardo Sá Fernandes. "É preciso apurar como foi possível isto acontecer. Os inspectores sabiam desde a primeira hora da existência de Alcina Dias e não a ouviram. Isto ultrapassa todos os limites, chega mesmo a raiar o absurdo", afirmou. O advogado espera marcar a reunião com o director da PJ dentro de poucos dias.
MORREU APÓS RECONCILIAÇÃO
Manuel Mendonça emocionou-se ontem após ter sido novamente ouvido em tribunal, para dar alguns esclarecimentos. Recordou o sogro e as discussões que tiveram.
"Confiava cegamente na Judiciária. Cheguei a cortar relações com o meu sogro, porque ele não gostava da equipa da PJ. Na altura de um Natal fizemos as pazes e dois dias depois ele morreu", contou o homem emocionado.

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