sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Gonçalo Amaral “A justiça realiza-se em silêncio”

Este jornal pede demasiados dados. Para quem? Para os ingleses pro Mcs que destruíram a Família de Gonçalo Amaral e a ele próprio ? 


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Gonçalo Amaral

“A justiça realiza-se em silêncio”

A sua vida tem sido devastada desde que coordenou a investigação criminal do caso que permanece um dos grandes mistérios do milénio, e consequentemente, desde que entrou em litígio legal com Kate e Gerry McCann. Gonçalo Amaral perdeu a família, a carreira profissional, e os bens. 

Também perdeu os honorários do controverso livro «Maddie, A Verdade da Mentira», no qual revela as razões pelas quais está convicto que a pequena Madeleine McCann, de 3 anos de idade, morreu no apartamento 5A na Praia da Luz, em Maio de 2007. 


Depois de quatro anos e meio perdidos, Gonçalo Amaral enfrenta outro obstáculo. Vai ser julgado por difamação, um processo movido pelo casal McCann - em Lisboa, no próximo mês de Fevereiro de 2012 – que reclama 1 milhão e 200 mil euros por danos morais. 


O ex-inspector da Polícia Judiciária acredita que pode vencer? “Claro”, responde-nos. Para este homem, “a Justiça realiza-se em silêncio”. Amaral ainda acredita que o caso do desaparecimento mais mediático do mundo vai ser fechado. E disse-nos o que deve ser feito para o resolver.
Edição 707 ( 8 Dez 2011)



Mesmo se estivesse no meio de uma multidão, seria difícil não o ver. Gonçalo Amaral, 52 anos, é invulgarmente alto e tem um fraquinho por chapéus. Encontramo-nos na esplanada da Casa Inglesa, em Portimão. Veste um sobretudo comprido, um chapéu clássico preto e cachecol vermelho brilhante. Na verdade, parece-se mais com um intelectual, do que com um ex-agente da polícia. Hoje, passa o tempo maioritariamente a escrever, uma actividade que aprendeu a gostar tanto, como o trabalho de investigação que costumava encher-lhe os dias.


A nossa primeira pergunta – como é que vai a vida? “Mal!”, portanto, acaba aqui qualquer conversa trivial.


O que Gonçalo Amaral tem sempre defendido é que o zelo do casal McCann para batalhas litigiosas “não trará a filha deles de volta”.
Na sua opinião, os vários processos legais contra ele e outras figuras públicas portuguesas que se manifestaram contra a versão dos factos dos McCann, não encaixam bem com a fé católica tão ferverosamente demonstrada por Kate, a mãe de Madeleine.

“É católico guardar-se rancor e sentimentos de vingança? Ou procurar destruir uma família, como a minha foi destruída?”, pergunta.


“Este litígio vai ter um preço muito caro – mas tenho fé que o mistério será resolvido”.

“Mesmo que eu desapareça – tal como a Kate McCann deseja e escreveu no seu livro - a minha filha mais velha é mestre em Direito Penal, e além disso tenho muitos amigos que vão certificar-se que seja feita justiça”.

Tudo isto pode soar dramático – mas nada em Gonçalo Amaral é teatral. É um homem que defende valores como a verdade, factos concretos e investigação séria.

“O caso teria que ser reaberto, e tenho fé que será”, diz. “Isso acontecerá quando o actual procurador-geral da república sair, ou quando o actual chefe da polícia deixar de o ser. Não é algo que quero forçar – mas mesmo se o pudesse fazer – é apenas o que acho que certamente acabará por acontecer”.

“E quando assim for, a primeira e mais importante tarefa a fazer, será a reconstituição daquela primeira noite – a noite em que Madeleine desapareceu. Porque é isso que realmente aconteceu: ela literalmente desapareceu! 

A reconstituição terá que envolver todas as partes, os McCanns e os amigos. Sabe que, há tantas inconsistências nos depoimentos das pessoas, que uma reconstituição irá demonstrar muito rapidamente onde não terão dito a verdade.”


Um exemplo do poder das reconstituições chega de Espanha, onde há algumas semanas atrás, um pai alegou que as suas duas crianças foram raptadas num parque. A reconstituição policial provou rapidamente que o homem nunca levara os filhos ao parque. Testemunhas que o tinham visto chegar de carro mas não se aperceberam da presença de crianças nos bancos traseiros, ficaram surpreendidas de como elas teriam sido claramente visíveis, depois da polícia ter utilizado bonecos na simulação dos factos. O pai está preso, mas o paradeiro dos miúdos continua desconhecido.


Gonçalo Amaral explica que quando a pequena Madeleine desapareceu, a polícia não organizou uma reconstituição na Praia da Luz “porque estavam demasiados jornalistas no terreno” - e quando a notícia arrefeceu, “os McCanns recusaram. 

Eles disseram que qualquer reconstituição deveria ser feita por actores. É claro que o propósito de qualquer reconstituição é utilizar as pessoas envolvidas, para ver em que ponto é que as suas histórias não batem certo.”


Portanto, regressar à primeira noite é uma questão de lógica. As primeiras 48 horas depois de qualquer desaparecimento são cruciais. Podem literalmente significar a diferença entre a vida e a morte. No caso de Madeleine, Gonçalo Amaral está mais convencido desta última hipótese. 

Esta sua teoria já lhe custou um processo-crime movido pelo casal McCann por difamação, devido ao que escreveu no livro «A Verdade da Mentira» - banido do mercado por providência cautelar em 2009, e “libertado” por recursos judiciais um ano depois. Dizemos “libertado”, mas na verdade, os livros apreendidos nunca foram devolvidos à editora «Guerra & Paz» e portanto, nem a editora, nem o autor ficaram com uma cópia para vender.


“Isso é mais uma estratégia de assassínio civil”, diz Gonçalo Amaral sem papas na língua. “Deixaram-me sem qualquer hipótese de pagar as minhas contas, penhoraram os meus bens. Tive de me afastar da minha família para poder protegê-los. O meu casamento, as coisas não estão bem. Nada bem. A minha vida parece cheia de divórcios…”

Perguntamos-lhe como encontra forças para continuar?

“Bem, eu coloco os McCanns numa caixa metafórica e não estou a pensar demasiado no julgamento em Fevereiro. Penso que vou ganhar, e depois eles vão recorrer - isto não vai acabar em Fevereiro. Mas tenho de ter um caminho. 

Quero abrir outra consultadoria. 


Já tive uma, quando saí da polícia, mas foi destruída quando os McCanns me caíram em cima por causa do livro. Bem, isso é uma coisa, a outra é a escrita. Recentemente, publiquei um novo livro, chama-se «Vidas sem Defesa» e é sobre os casos de crianças desaparecidas em Portugal. E tenho outro quase pronto, mas não vou dizer ainda sobre o que é.

 Depois disso, gostaria de pegar em mistérios policiais para os estudar e escrever contos – não ficções – mas histórias baseadas nos factos para mostrar o que eu acredito que possa ter realmente acontecido. Penso que há um défice neste tipo de livros”.

E não se sente revoltado com as agonias e frustrações que tem suportado, simplesmente por fazer o seu trabalho?

“Tenho a minha raiva bem guardada. Não tenho sentimentos de vingança. Como digo, eles irão pagar pelo que me fizeram a mim e à minha família – mas através dos tribunais.

 Mesmo depois de tudo o que me aconteceu e à minha família, ainda tenho fé no sistema judicial português.”

Perguntamos ainda a Gonçalo Amaral se tem alguma pista sobre o que terá catapultado o caso de Madeleine para a estratosfera da atenção mediática? 


Porque é que os McCanns receberam tanto auxílio das autoridades britânicas desde o início? 

E porque é que os chamados «Tapas 7» (o grupo de amigos que acompanhava o casal no bar homónimo, na noite de 3 de Maio de 2007), nunca foram investigados por negligência infantil – considerando que todos eles deixaram as crianças sozinhas à noite naquelas malfadadas férias?

“Ah, isso agora estamos a mexer em política! Essas são questões para o público britânico colocar. 


Não tenho que ter nenhumas teorias para essas perguntas. O meu trabalho era encontrar a Madeleine”.

Um trabalho que lhe foi entregue há quase cinco anos atrás - e que jamais irá esquecer.


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