domingo, 13 de novembro de 2011

“O perigo começa na casa onde a criança vive”


“O perigo começa na casa onde a criança vive”

Por:Sara G. Carrilho


Gonçalo Amaral, Ex-coordenador de investigação criminal da Polícia Judiciária, fala sobre desaparecimento de crianças
Correio da Manhã – O desaparecimento de crianças é valorizado pelas autoridades logo após a denúncia?
Gonçalo Amaral – Existe uma grande falta de sensibilidade, o que tem a ver também com a idade da criança. Já é tempo de serem de imediato chamados os meios competentes quando um menor desaparece. Pode ser a diferença entre a vida e morte.
– O que tem falhado na investigação criminal nestes casos?
– A falta de formação, de planeamento e a ausência de uma estrutura de polícia única para investigar o desaparecimento de crianças. Sejam quais forem os motivos, é uma criança que desaparece, às vezes por 48 horas, noutras uma vida inteira.
– O que correu mal no caso Rui Pedro?
– O procurador que agora acusou Afonso Dias não ter estado na investigação desde o início. Os indícios da acusação são os que existiam há 13 anos. E a intervenção tardia da Polícia Judiciária. Aquilo que aconteceu há 13 anos, conforme as coisas estão, pode hoje acontecer de igual modo.
– Considera que a lei portuguesa protege as crianças?
– Tem falhas. Por exemplo, o crime de exposição ao abandono é muito grave. Só existe quando a pessoa tem uma intenção. Não pode ser, as crianças desaparecem muitas vezes por serem maltratadas e negligenciadas.
– Quais as principais fontes de perigo para as crianças?
– O perigo começa na própria casa onde vivem, no seu quarto, no acesso que têm à internet, onde estão expostas ao assédio de pedófilos e abusadores.
– O que tem de mudar?
– Tem de existir sensibilidade, que só aparece quando um caso se torna mediático. Só aí é que todos choramos. É necessária uma formação específica na Polícia Judiciária.



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