quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Polícia única não é solução.

26 June 2011




Jornal de Notícias




Equipas mistas não vão resolver crime no Algarve


Gonçalo Amaral diz que não há uma estratégia para combater insegurança, mas apenas respostas a acontecimentos pontuais. Acusa instituições de inércia e de não reagirem a denúncias falsas no estrangeiro


ENTREVISTA


O antigo coordenador do Departamento de Portimão da Polícia Judiciária diz que a insegurança no Algarve por causa da criminalidade violenta resulta da falta de estratégia das forças de segurança e dos agentes do turismo.


Gonçalo Amaral, 51 anos, conhecido por ter investigado o desaparecimento de Maddie, rejeita a solução decidida neste mês de criar equipas mistas com agentes de várias polícias e acusa as autoridades de não reagirem a denúncias alarmistas, por exemplo em Inglaterra.


É precisa uma "equipa especial", à semelhança da criada pela Procuradoria-geral da República para a violência na noite do Porto, para combater os crimes violentos no Algarve e tranquilizar os turistas?


Percebo a questão. Mas, ao contrário do que alguns afirmam, o Algarve não precisa de um plano especial de segurança, muito menos de equipas especiais - que só servem para aumentar os salários dos seus componentes - nem sequer de mais meios humanos e materiais para combater o fenómeno criminoso que, é verdade, tem ganho relevo.


O que é preciso é definir um plano estratégico que envolva promotores e operadores turísticos, autarcas, forças e serviços de segurança.


Mas isso leva tempo e as férias estão aí…


É preciso reagir a cada crime, com uma resposta rápida e eficaz, mas não se pode deixar de detectar, conhecer e estudar o fenómeno, prevenindo-o e formando-se investigadores criminais capazes de agir coordenadamente - coisa que não é feita.


É verdade que a convicção de segurança tem sofrido abalos, muito por força da inércia das instituições, ao não promoverem e preservarem o Algarve como um destino seguro. E também das forças e serviços de segurança ao agirem apenas reactivamente, ao sabor do pontual acontecimento criminoso.


Como explica este fenómeno de criminalidade no Algarve?


A configuração geográfica desta região e a sua proximidade com Espanha e o Norte de África, e a sazonalidade de potenciais criminosos são os principais factores.


Mas esses mesmos factores podem e devem ser utilizados para combater o fenómeno criminal.


 A geografia, uma costa a sul e uma auto-estrada que atravessa longitudinalmente quase todo o Algarve, transforma a região num rectângulo controlável. E é simples e barato fazê-lo. E


xistem câmaras de vigilância nessa auto-estrada, tornando-se necessário instalá-las nos acessos e estender esses cuidados às entradas e saídas das cidades. Este sistema de vigilância seria uma ferramenta importante para combater o crime e, por inerência, sossegar a região.


Como têm respondido os autarcas e os operadores turísticos ao recrudescimento do crime?


Sei que todos os responsáveis autárquicos se preocupam com a segurança, mas eles têm o poder que têm e neste particular não é suficiente. Mas eles sabem bem o que é preciso fazer. Os promotores e operadores turísticos sentem o peso negativo deste clima de insegurança e é urgentíssimo acabar com esse sentimento.


Como?


Chega de responder casualmente, ao sabor dos acontecimentos. O Algarve necessita de um Observatório Regional de Segurança que monitorize o fenómeno criminógeno e apresente soluções.


As "equipas mistas" de que se tem falado podem ser uma solução?


Seguramente que não! Não basta reforçar sazonalmente esta região, com elementos das forças de segurança, nem criar essas "equipas mistas" de duvidosa eficácia. O policiamento de proximidade e uma resposta rápida e eficiente ao acto criminoso são a forma de manter o sentimento de segurança das populações e daqueles que nos visitam.


Mas qual é o problema das equipas mistas?


São a assunção do modelo de Polícia única. Podem ser politicamente correctas, mas não são eficazes para responder à criminalidade violenta. É à Polícia Judiciária que compete investigar aquele tipo de crime em colaboração com as outras forças. A Polícia Judiciária é o fiel da balança e a garantia de total equilíbrio.


E que mais problemas detecta?


Recentemente, a segurança do Algarve foi posta em causa pela ocorrência de um homicídio de um súbdito britânico e, mais uma vez, os responsáveis pelo turismo algarvio deram uma resposta atabalhoada e quase ineficaz.


Apenas conseguiram antecipar o reforço policial sazonal. Porém, esses mesmos responsáveis, depois de devidamente alertados para o facto, não saíram em defesa da sua região quando uma súbdita britânica [Kate McCann], escreveu em livro - facto noticiado por um tablóide britânico - que no Algarve as crianças britânicas de férias com as suas famílias eram abusadas sexualmente por homens que se introduziam durante a noite nas suas habitações. É uma afirmação insidiosa, uma mentira colossal. Mas os responsáveis algarvios não reagiram, não responderam e isso criou uma falsa realidade.


O que responderia?


A verdade! O Algarve é um destino turístico seguro, o índice de criminalidade é inferior ao de outros destinos turísticos e aqui não é hábito raptar e violar criancinhas, sejam elas britânicas, portuguesas ou de outras nacionalidades.




'O Algarve é um destino turístico seguro, o índice de criminalidade é inferior ao de outros destinos'.


'O policiamento de proximidade e uma resposta rápida e eficiente ao acto criminoso são a forma de manter o sentimento de segurança'


ÓSCAR QUEIRÓS


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