quinta-feira, 9 de junho de 2011

Rui Pedro: uma luz ao fundo do túnel ou um túnel sem fundo?


Pág. 3. Semanário O Crime. 9 de Junho de 2011.


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Psicologia da Justiça


Rui Pedro: uma luz ao fundo do túnel ou um túnel sem fundo?


Opinião de Paulo Sargento Docente Universitário


Em 22 de Maio de 1998 foi inaugurada a Expo 98, a última exposição mundial do séc. XX, cuja organização esteve ao cuidado do nosso país. Estou seguro de que a maioria dos leitores se recorda desse memorável evento. Já passaram 13 anos. Dir-se ia : como o tempo corre….

Nesse mesmo ano, dois meses e meio antes, no dia 4 de Março de 1998, Rui Pedro, uma criança, então com 11 anos, natural da Lousada, desapareceu sem deixar rasto. Dir-se-ia: como o tempo corre…

Por que motivo fiz a comparação entre a inauguração da Expo 98 e o desaparecimento de Rui Pedro ?  Porque quis situar o leitor no tempo. Porque, 13 anos, não são 13 meses, não são 13 dias nem, tão pouco 13 horas. Antes da inauguração da Expo 98 já Rui Pedro estava desaparecido e só 13 anos depois a Justiça surge com algo de concreto sobre o seu caso….

Caro leitor: deixe-me partilhar uma pequena conversa que tive com uma produtora de uma estação televisiva por alturas do desaparecimento da pequena Maddie. Falávamos sobre o problema das crianças desaparecidas e da enorme mediatização do desaparecimento de Madeleine Mccann. A páginas tantas, nessa conversa, assumi a minha estranheza relativamente ao facto de o desaparecimento de uma criança inglesa ser objecto de tamanha mediatização quando existia, em Portugal, cerca de uma dezena de crianças desaparecidas, das quais, praticamente não se ouvia falar. A produtora com quem conversava lembrou-me de Rui Pedro, alegando que este caso tinha tido uma grande mediatização, quando comparado com o caso de outras crianças desaparecidas. E adiantou-me o motivo : “ a Mãe de Rui Pedro é muito bonita e telegénica”. Com efeito, Filomena Teixeira era uma mulher muito bonita e, especialmente telegénica. Treze anos de visível sofrimento emocional diminuíram-lhe a apregoada telegenia. Treze anos  de desacompanhamento contribuíram para o seu desespero aprendido. Treze anos de incertezas ruíram-lhe o epicentro da sua saúde emocional.

O meu amigo Ricardo Sá Fernandes, advogado dos pais de Rui Pedro, afirmou  que o julgamento de Afonso Dias , alegado raptor do pequeno Rui Pedro, demonstra o pior e o melhor da Justiça. Sim ! Estou de acordo! Mas, pergunto-me : como ressarcir as pessoas do pior ? Quem o fará?

Ainda que o sofrimento dos seres humanos não seja objectivamente comparável , a mãe do Rui Pedro ilustra na perfeição a destrutiva tristeza, a gigantesca impotência e o lento e doloroso definhar da esperança. Mesmo um túnel sem fundo pode significar uma luz ao fundo do túnel…

O tempo é o factor mais incompreensível do caso Rui Pedro. Mas a Justiça não pode descansar na falta de meios e, tão pouco, apregoar a especial complexidade do caso sem que a tal não a manche. Trata-se de um menor cujo superior interesse devia ter sido assumido como prioridade.

Esperemos pois, que, para sossego de todos, tenhamos saído do limbo deste caso. Esperemos , pois, que o julgamento de Afonso Dias constitua um primeiro, mas já muito atrasado, grande passo para a descoberta do que aconteceu ao Rui Pedro.


Aos pais de Rui Pedro, em particular à mãe, empresto a minha esperança e ofereço a minha solidariedade!



http://textusa.blogspot.com/ (imagem "roubada" daqui)










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