terça-feira, 8 de março de 2011

Rui Pedro ; o Avô e os Bombeiros

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Caso Rui Pedro: “Implorou pelo neto”


"Nas primeiras 48 horas vasculhámos a pente-fino o lugar onde o Rui Pedro foi visto pela última vez. Depois percebi que não se tratava de um mero desaparecimento, mas sim de um rapto. As buscas só continuaram durante mais duas semanas porque o avô nos implorava para que encontrássemos o seu neto." Rui Mota, antigo comandante dos Bombeiros Voluntários de Lousada, recuou 13 anos no tempo e recordou ao CM o trágico dia 4 de Março de 1998, quando Rui Pedro, então com 11 anos, desapareceu na Quinta da Lagoa, em Lousada.

Sobre o facto de Afonso Dias ter sido, agora, acusado do crime de rapto, Rui Mota, 61 anos, não se pronuncia: "É uma coisa para a família falar e não eu."

Quando recebeu o alerta, dado pelo avô e pelo pai de Rui Pedro, o ex-comandante da corporação de Lousada nunca imaginou tratar-se de um caso tão grave. "Pensei que a criança estivesse presa em algum silvado ou desorientada", disse Rui Mota, lembrando o olhar brilhante do avô, quando aquele lhe pedia para fazer novas buscas, noutros locais. "Ele chegava perto de mim e dizia: ‘Procura por favor junto da serra da Barrosa e na fábrica de tomate abandonada. O André [primo] diz que eles iam muitas vezes para lá’ brincar. E eu ia, pois era muito doloroso ver a dor que a família estava a viver. Nunca lhes consegui dizer que se tratava de um rapto", salientou.

Para Rui Mota, os bombeiros fizeram tudo o que era possível para encontrar o menino. "Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Trabalhámos dia e noite sem parar. Vimos em casas abandonadas, em prédios em construção, em poços... Mas resultados não havia", afiançou. "Já passadas duas semanas, o avô pediu-me para não se fazer mais buscas. Foi então que conversámos sobre a questão do rapto e eu vi o desespero nos seus olhos", referiu o bombeiro, já aposentado da corporação.

PAI DE FILOMENA "NUNCA GOSTOU DO AFONSO"

"O Teixeira [avô de Rui Pedro] nunca gostou do Afonso. Não gostava das amizades dele com o neto nem o facto de passar a vida enfiado na escola de condução", disse Rui Mota, o comandante, que também era amigo do pai de Filomena. "Ele morreu a acreditar que era o Afonso o culpado", acrescentou. Afonso Dias, de 33 anos, acusado há uma semana por rapto qualificado de Rui Pedro, foi a última pessoa a ser vista com o menino, que na altura tinha onze anos.

BUSCAS EM FÁBRICA ABANDONADA

Um dos locais predilectos de Rui Pedro e dos amigos para brincar era uma antiga fábrica de tomate que estava abandonada. "O interior e o perímetro envolvente foi passado a pente-fino há 13 anos. Nada foi encontrado", realçou o antigo comandante Rui Mota. O local continua a ser diariamente ponto de encontro de dezenas de jovens.

TERRENO DO AVÔ FOI VASCULHADO

Um dos cenários possíveis apontados pelos bombeiros, no dia do desaparecimento de Rui Pedro, era que o menino poderia ter ido ter com o avô à Quinta da Nespereira, local onde costumava brincar com o primo. "Enviei vários homens para lá e todo o terreno foi vasculhado. Nos dias seguintes voltámos a tentar", disse Rui Mota.



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