sexta-feira, 4 de março de 2011

Mãe Coragem do Rui Pedro . Leiam, s.f.f









Mãe Coragem- Filomena.




http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=13253



'Este caso teve duas vítimas' - mãe de Rui Pedro


4 de Março, 2011



por Felícia Cabrita*




Faz hoje 13 anos que Rui Pedro desapareceu. O caso voltou à ribalta porque o Ministério Público acusou finalmente a pessoa de quem sempre se suspeitou. A mãe, que lembra as chantagens sofridas e o pesadelo em que vive, diz que o filho não foi a única vítima

Filomena Teixeira tinha apenas 36 anos quando uma dor violenta a paralisou para a vida. Roubaram-lhe o filho e, na busca dele, a sua alma vagueou, quase se perdeu. E nem a recente acusação do Ministério Público consegue arrancá-la, por hora, do inferno para que a lançaram.



Como conseguiu sobreviver a tudo por que passou?



Ao longo destes 13 anos, comeram-me a carne e roeram-me os ossos. Não sei como as pessoas podem ser tão más, aproveitando-se da enorme dor que vivíamos. Até uma médium que dizia saber onde estava o Pedro me ligava a toda a hora. Dizia-me para ir ao rio, pois a cabeça do meu filho estava lá a flutuar, e ao outro dia, ligava para saber se eu tinha ido ver. Era uma tortura. A Judiciária foi ver e, claro, não havia nada.



O facto de ser uma mulher bonita também foi explorado?



Sim, houve um homem de Guimarães que me telefonava a dizer que sabia do Rui Pedro: teria ido para França, num esquema de tráfico de órgãos e, se eu não agisse rapidamente, de certeza que não o veria vivo. Em troca, pedia para eu ir à noite à janela e despir-me. Eu dizia-lhe que sim, que estava à janela, e ele dizia que se estava a masturbar. Depois começou a chantagear-me, dizia que tinha fotos minhas toda nua, mas era falso pois eu nunca fiz aquilo. Contactei a PJ, que me pôs em escuta, e eu fui-lhe dando corda. Até que um dia começou a pedir dinheiro. Acabaram por prendê-lo numa cabina telefónica. Acho que não foi condenado a qualquer pena. Veio a saber-se que era uma pessoa que vivia num bairro de lata e que viu a minha fotografia e o meu telefone no jornal O Crime.



Mas também apareceram burlões, com falsas pistas, a pedirem dinheiro.



Sim. Houve um senhor que estava preso e que contactou o meu pai a dizer que sabia onde estava o meu filho. Tinha uma conversa que nos convenceu completamente. Ficou combinado que, quando saísse da cadeia, em precária, iria buscar o Rui Pedro. O meu pai gastou um dinheirão: deu-lhe um carro, um telemóvel topo de gama e um cartão de telemóvel. Acabou por fugir, gastou tudo o que quis e ainda hoje ninguém sabe onde está.



Tem ideia de quanto gastaram com tudo isso?



O meu pai gastou muito dinheiro, milhares e milhares de contos - é incalculável. Ele fez tudo, até contratou detectives particulares.



Ele, entretanto, morreu.



Mas dizia sempre que não morreria enquanto não encontrasse o neto. Ele fez tudo: foi à Holanda, à Bélgica. Porque havia outros tipos que nos andavam a enganar e diziam que nos entregavam o Pedro na Bélgica. Chegou a ir a um descampado, onde esteve toda a noite e ninguém apareceu. Mas pode ser que ainda seja possível. Muitas vezes vou ao cemitério e peço que me dê uma luz, como sempre me ajudou. Ainda agora, quando o Afonso Dias foi acusado, fui contar-lhe, dizer-lhe que ele tinha razão. Ele sempre desconfiou do Afonso.



O que a chocou mais em tudo o que lhe aconteceu?



O pior mesmo é quando acreditamos na Justiça e percebemos que até esses nos querem usar. Houve um elemento da PJ do Porto que me tentou aliciar sexualmente. Passei por muito. Acusaram-me até de vender o meu filho para o mundo da droga. Eu tanto tive o lado bom das pessoas que me apoiavam, como o lado mau das pessoas que desconfiavam de mim. No fundo, neste processo todo, houve duas vítimas: o meu filho e eu. Mas esqueci isso tudo, o que eu quero é o meu filho. Só que, com este tipo de coisas, a PJ durante muito tempo desviou-se do seu propósito, que era descobrir o meu filho.



A PJ também desconfiou de si e investigou-a. Como lidou com isso?



Eu disse-lhes que podiam investigar a minha vida toda, não tinha problema nenhum, pois não fiz nada ao meu filho. Mas que investigassem também as outras pessoas. É que, enquanto o processo estava no Porto, a PJ não quis saber das pessoas que conheciam o Pedro: os vizinhos, os colegas, a minha família. E, inicialmente, também duvidaram dos colegas dele, que agora aparecem na acusação como testemunhas fundamentais. Duvidaram do primo, do amigo que também tinha sido convidado pelo Afonso Dias para ir às prostitutas na tarde em que o Pedro desapareceu. Poucos dias depois do desaparecimento, quando o caso já estava na comunicação social, um senhor ligou-nos a dizer que tinha visto o Afonso no carro e o Pedro com uma prostituta. Fomos lá falar com ela, que confirmou tudo, mas a PJ também achou que ela não era fidedigna e que dizia o que lhe passava pela cabeça.



Como conheceu o Afonso?



Apareceu na nossa escola de condução para tirar a carta. Já o conhecíamos daqui das ruas, era um rapaz pobre. Tinha 18 anos e nós tínhamos pena dele, era um rapaz educado. Dava-lhe roupa do meu irmão, e comida muitas vezes. Fazia-nos uns recados... Depois de tirar a carta, começou a levar os miúdos ao colégio, o Rui Pedro e a Carina. Tinha o Pedro 8 anos.

Tinha, portanto, confiança nele?

Sim, porque eu nunca vi nada. Mas, afinal, ele era muito fingido. Mais tarde, foi para a tropa e deixou de aparecer. Penso que foi nessa altura que conheceu pessoas que o levaram para maus caminhos. Quando voltou da tropa já não era o mesmo, tinha-se tornado mais reservado.



Por isso proibiu-o de contactar os seus filhos?



Sim, mas aí ele já tinha uma relação muito forte com o Pedro e encontravam-se às escondidas.

felicia.cabrita@sol.pt

* com Rita Palma


Copiado para aqui na esperança que os Amigos dos Blogs leiam. Porque tem de ser lido !

Enviar um comentário