quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O violador em série. II













PJ de fora




Na queixa apresentada à Procuradoria-geral, o advogado de Sotero sugere que o psicólogo revelou à PJ quem era o violador de Telheiras.


De acordo com a Ordem dos Psicólogos, caso soubesse que um crime ia ser praticado, Paulo Sargento tinha obrigação de informar a polícia (ver caixa). Uma fonte da PJ assegura que "nenhum dos investigadores deste caso foi ouvido no âmbito de qualquer processo de violação de sigilo profissional ou de violação de segredo de justiça".

Henrique Sotero apresentou queixa contra Paulo Sargento e acusa-o de ter facultado a sua identidade, a hora e o local da consulta a responsáveis da TVI.


Hernâni Carvalho, Júlio Magalhães, diretor de informação da TVI, e os jornalistas Carlos Enes e João Pedro Matoso também são arguidos.


"Confirmo isso, mas não posso dizer nada sobre a maneira como foi obtida a informação", diz Júlio Magalhães.


Hernâni Carvalho, vereador na Câmara de Odivelas, confirma que é arguido: "Não vou dizer nada. O que tinha a dizer disse-o ao procurador que me interrogou. Estou muito curioso para saber o que vão fazer".


Henrique Sotero vai começar a ser julgado a 14 de janeiro do próximo ano. Está a ser avaliado no Instituto de Medicina Legal porque alega que não é totalmente responsável pelos seus atos. Entre abril de 2007 e outubro de 2009 sequestrou, ameaçou e abusou sexualmente de 16 mulheres jovens. Confessou, mas nunca mostrou arrependimento.

Ordem dos Psicólogos

Risco de novos crimes justifica denúncia à PJ

O psicólogo que acompanhava o homem suspeito de violar 16 mulheres podia, e devia, avisar a polícia. O número de crimes de que é acusado revela "um comportamento contínuo, que só as autoridades têm capacidade para evitar", garante o bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Telmo Mourinho Baptista.

Na sua opinião, as consequências dos atos do suposto agressor sexual justificam o incumprimento de um "dos princípios fundacionais da profissão de psicólogo: o respeito e a defesa do sigilo profissional". O bastonário explica que o segredo da relação doente-psicólogo pode ser partilhado com terceiros "quando há risco de a pessoa atentar contra si própria ou contra os outros". No entanto, esta quebra da confidencialidade só pode ser feita "junto de quem tem capacidade para evitar o dano".

Ao Expresso, Telmo Mourinho Baptista não quis revelar se a Ordem dos Psicólogos Portugueses recebeu alguma queixa contra o psicólogo que acompanhou o suspeito, e manteve a mesma discrição sobre as possíveis sanções a aplicar caso fique provado que teve uma atuação reprovável. O bastonário diz somente que as penas podem ir da advertência até à expulsão.

"A Ordem dos Psicólogos Portugueses é recente - eu tomei posse no dia 16 de abril - e ainda estamos a elaborar o Código Deontológico e as linhas orientadoras, com situações específicas relacionadas com o sigilo profissional. No entanto, casos como este terão sempre uma decisão tomada por um conselho jurisdicional". Telmo Mourinho Baptista diz que o 'trabalho de casa' deverá ficar pronto até ao primeiro trimestre de 2011.

V.L.A.

Texto publicado na edição do Expresso de 11 de dezembro de 2010

Enviar um comentário