quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Leituras

http://www.thisisleicestershire.co.uk/news/British-police-helped-case-McCanns/article-3007069-detail/article.html

British police helped case against McCanns - says claim published by WikiLeaks



BRITISH police “developed” evidence against Madeleine McCann’s parents over their daughter’s disappearance, a senior official has claimed.


McCann Detectives hassling Algarve: 'Leave us alone once and for all'



Detectives dos McCann em Lagos

00h15m

MARISA RODRIGUES

"Deixem-nos em paz de uma vez por todas". O pedido é de uma ex-funcionária do Ocean Club, na praia da Luz, Lagos, que tem sido "insistemente" contactado por um novo grupo de investigadores privados contratados pelo casal McCann.

"Contactaram-me três vezes, por carta, telefone e mais recentemente bateram-me à porta. Eram duas mulheres, uma portuguesa e outra inglesa, à procura de novas provas para reabrir o processo, mas nós queremos esquecer o que aconteceu. Só responderemos a perguntas feitas pela Polícia Judiciária", desabafa a mulher, ouvida como testemunha durante a investigação ao desaparecimento de Madeleine, a 3 de Maio de 2007.

Uma acção que o ex-coordenador da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, classifica de "ilegal". Sugere mesmo que "estas pessoas sejam identificadas e ouvidas pela polícia porque estão a cometer um crime".

Esta revelação surge um dia depois de o Wikileaks, citado pelo jornal espanhol "El País", ter revelado o conteúdo de uma conversa entre os embaixadores do Reino Unido e dos Estados Unidos, com o primeiro a afirmar que a polícia do seu país reuniu indícios contra os pais da criança.

"Isso já a PJ tinha dito e consta do processo. Era a convicção das duas polícias, mas nunca foi assumida pelo lado britânico. A única novidade é que, pela primeira vez, há alguém que não é português, a assumir que havia suspeitas contra o casal, o que reforça a tese da investigação", diz Gonçalo Amaral.

Para o porta-voz da família, Clarence Mitchell, trata-se de "uma nota histórica com mais de três anos. Kate e Gerry viram o seu estatuto de arguidos levantado, com as autoridades portuguesas a assumir que não havia qualquer prova que os implicasse no desaparecimento de Madeleine".

Ao JN, fonte da agência de comunicação portuguesa contratada pelo casal, confirma haver uma "equipa de investigação privada" liderada por um antigo polícia britânico, Dave Edgar, a tentar reunir provas para reabrir o processo, arquivado em Julho de 2008.

Ontem, em comunicado, a Procuradoria Geral da República considerou que não existem factos "novos, credíveis e relevantes" para reabrir a investigação relacionada com Madeleine McCann.


Que o negócio da Maddie rende milhões, não há dúvidas. Muitos milhões. Aliás, "the business", no pleno estado de graça das sociedades manipuladas, em que nos encontramos, é quase um caso-cobaia do que pode ser a artilharia pesada dos sistemas da moda, em velocidade de cruzeiro. Inicialmente, para o papalvo, no qual, nós, 10 000 000 de Portugueses fomos incluídos, havia um casal banal, de gajos com uma frieza, que deixava -- eu sei do que estou a falar... -- supor o pior na educação das três crianças. Foram ao jantar, e a mais crescidinha e mais apetitosa... desapareceu. Até aqui, tudo normal, sempre fomos um país de gente que alimenta fantasias com meninas lourinhas e rapazinhos morenos, mas, há medida que os dias passavam e o caso se adensava, começava-se a verificar que havia, digamos, mais substracto do que o aparente.

Cem dias depois, se a Maddie se chamasse Napoleão, já estaria a fazer as malinhas para a Ilha de Santa Helena, mas não, ela continua o prato forte dos jornais e dos noticiários, e, mais grave do que isso, reparamos que as diversas Intoxicações Sociais sofreram um cisma aparente, só semelhado ao de Lutero: lá para o Norte, no meio das brumas, querem, à viva-força, que a menina esteja viva, os pais, sofredores, e uma polícia incompetente, típica de um Terceiro Mundo ensolarado e quase europeu; cá em baixo, no ensolarado, para onde eles enviam os mecânicos de automóveis e as sopeiras deles, em voos de 7 € -- mamada no pescador de Quarteira incluída -- os jornalistas começam a perceber que algo não está a funcionar bem, e esse não funcionar bem começa a arrastar o pouco de dignidade nacional que nos resta para um grave abismo de folhetim policial.

(Podia pôr-lhe em epígrafe o nome de Breve Ensaio sobre a Substituição das Investigações por um final, "à la carte", referendado por sms de Tele-espectadores ávidos de sangue e donas-de casa-atesoadas de ira).
Algumas pistas, todavia, se levantam: no "Correio da Manhã", começa-se a ver que os McCann têm poderosas "connections". Não é a toa que a galinha, anoréctica e deslavada, aparece, no meio do jantar, a chorar, dizendo que caminha do seu "bibelot" está vazia, e, às 23 h. do mesmo dia, já o Sr. John Buck, Embaixador do United Kingdom começa a pressionar telefonicamente o Director da Judiciária, para que investigue o... "rapto".

Também eu, se me ligasse um enrola-favas ânglico a meio do jantar, partiria na pista do rapto, só depois pensando em como é que Sua Excelência, no seu canapé da Lapa, já saberia que se tratava de um rapto?... Mais, diz o "Correio", "O primeiro porta-voz dos McCann, Clarence Mitchell, que organizou as viagens dos pais de Maddie a vários países europeus, é hoje assessor de Gordon Brown, o actual primeiro-ministro britânico.", ou seja, um ingénuo sofredor, posto ao lado do casal Vale-sem-Lágrimas. Por sua vez, segue ainda o "Correio", "Brown apoiou a causa de Maddie desde o início, facto a que não é alheio Jill Renwick, amiga do casal de há longa data, ser vizinha de Jonh Brown, irmão do primeiro-ministro britânico. Segundo o ‘The Guardian’, Jill abordou John na rua, e este fez chegar a mensagem ao irmão.", ou seja, traduzido por miúdos, tudo em família.
Toda a gente sabe que eu não sou grande apreciador de José Sócrates, mas ainda sou muito, mas muito, muito menos, apreciador desta gente, e estava eu neste leva e traz, deu-me uma "madeleinade à la Proust", e só me apeteceu ver o cenário a ser vivido há quase 10 anos, com o Rui Pedro desaparecido, o Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro, de então, a ligar imediatamente para o Director da Judiciária, e este para oMinistro da Administração Interna, que, preocupadíssimo, contactaria o da Segurança Social -- rapaziada desaparecida em Portugal, era então todas as noites, na Casa Pia... Meios fantásticos, cães farejadores e rastejadores, infra-vermelhos, brigadas de faróis, jipes, sensores, um fundo cheio de milhões, uma volta ao Mundo em Aqua-Lágrimas, o Papa... meu deus, já estou a começar a sonhar, mas é melhor ficarmos por aqui: o fundo Rui Pedro, afinal, vale ZERO -- quanto é que esta merda toda estará agora a custar aos cofres portugueses, hein?... -- e os culpados de então, se apanhados -- isola, isola, isola!... -- até eram capazes de não agradar, mas não agradar mesmo nada, a ninguém.
Uns beijos fortes para Santo Tirso, para Lousada, para Fafe, para o Vale do Ave, sei lá...


De volta ao caso Maddie

O que vale a revelação da WikiLeaks sobre o caso Maddie? Vale mesmo muito. Num primeiro plano, demonstra que a polícia inglesa estava convencida da credibilidade dos indícios que envolviam os pais no desaparecimento. Depois, que o assunto era tema de conversa ao nível de questão de Estado entre as diplomacias de Inglaterra e dos EUA.


Por:Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

Ou seja, por razões que persistem por esclarecer e que podem estar relacionadas com algum trabalho de Gerry McCann para o Estado britânico, o assunto tinha uma clara dimensão política. Foi um dossiê gerido com todas as cautelas políticas, como se percebe na referência ao "segredo" que o assunto exigia aos ingleses.

Hoje, também se percebe que era nenhuma a credibilidade da informação dada pelos EUA a pedido da investigação sobre as imagens recolhidas por um satélite norte-americano posicionado para o Sul de Portugal e Norte de África. Na altura, os americanos confirmaram o posicionamento do satélite, mas disseram que na noite do desaparecimento este estava orientado para África, e que por isso não poderia ter visto um homem com uma criança ao colo, que mais tarde uma testemunha disse ser o pai de Maddie.

Se os McCann quisessem reabrir o caso, era agora. Mas será essa a sua conveniência face aos factos? Não parece...




Maddie: WikiLeaks revela conversa entre embaixadores britânico e americano

“Influência política exige inquérito”

Gonçalo Amaral, antigo responsável pela investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann da Praia da Luz, na noite de 3 de Maio de 2007, não está surpreendido com a revelação pela WikiLeaks de um telegrama para Washington do embaixador norte-americano em Portugal, Alfred Hoffman.

  • Por:Paulo Marcelino / J.F. / R.R. com agências


Nessa missiva, de 28 de Setembro de 2007, o diplomata informa sobre uma conversa com o seu congénere do Reino Unido, Alexander W. Ellis, na qual este disse que "a polícia britânica obteve as provas contra os pais McCann". O antigo coordenador da Polícia Judiciária admite ter sentido "pressão política durante a investigação" e pede agora a criação de uma comissão de inquérito na Assembleia da República, alegando que a interferência política na investigação criminal põe em causa o Estado de Direito.

"Houve influência política no rumo da investigação e no arquivamento do processo", disse ao CM Gonçalo Amaral. O antigo responsável pela investigação – afastado na fase final – diz mais: "Perante a passividade, a quase cumplicidade do Governo [português] ainda em exercício, torna-se imperioso que, no seio da Assembleia da República, seja criada uma comissão de inquérito para averiguar as influências e manobras políticas que levaram à interrupção da investigação e ao arquivamento do processo. Está em causa do Estado de Direito."

E a propósito da revelação de que teria sido a polícia britânica a reunir provas contra o casal Gerry e Kate McCann (os pais da menina desaparecida), Amaral é peremptório: "Eles não arranjaram provas nenhumas." O antigo coordenador reconhece a boa colaboração dos polícias ingleses enviados na altura ao Algarve, mas acrescenta que "quem estava em Inglaterra tinha outras ideias". E dá exemplos: "A polícia inglesa até escondeu a denúncia de Catherine Gaspar sobre um potencial pedófilo [David Payne] no grupo de férias na Luz." E recorda que este acabou por ser interrogado em Inglaterra sem a presença de inspectores da PJ. Recorde-se que as informações de crédito pedidas pela PJ nunca obtiveram resposta. E Amaral diz ainda que "há fortes suspeitas" de que os resultados laboratoriais em Inglaterra foram manipulados. E já eram conhecidos à data do telegrama. A conclusão laboratorial desvalorizou os vestígios encontrados no apartamento e carro do casal por cães britânicos especializados em farejar sangue e odor a cadáver.

PISTA DE MORTE

Primeiro oferecidos em Maio e depois disponibilizados com reticências em Agosto de 2007, os cães ‘Eddie’ e ‘Keela’ assinalaram odor a cadáver e vestígios de sangue no apartamento de onde desapareceu Maddie e na bagageira do carro alugado depois pelos McCann.

RAPTO SEM PROVA

Gonçalo Amaral diz que não há provas de rapto no processo além das declarações de Jane Tuner, que estava com os McCann de férias na Praia da Luz. "Reconheceu várias pessoas como autores do rapto e mentiu descaradamente", afirma o antigo coordenador da PJ.

"SENTI PRESSÃO": Gonçalo Amaral, Antigo coordenador da PJ

Correio da Manhã – Sentiu pressões políticas na investigação?

Gonçalo Amaral – Senti. Fui confrontado, através da direcção nacional da PJ, com uma questão coincidente com o pensar do Procurador-Geral da República, na altura, de que nem todos os processos têm uma conclusão.

– Como explica a interferência política?

– A iniciativa foi do casal McCann, através de contactos familiares, para se defenderem.

– A revelação do telegrama surpreendeu-o?

– Não. Só espero que a Justiça portuguesa oiça os dois embaixadores. São potenciais testemunhas.

CASAL FORMA NOVA EQUIPA DE INVESTIGAÇÃO

Uma nova equipa de investigadores formada pelo casal McCann e constituída por elementos portugueses e ingleses e chefiada por um ex-polícia britânico já está no Algarve, segundo a TVI. O casal alega estar interessado na revisão dos avistamentos constantes do processo. Mas Gonçalo Amaral contrapõe: "Estes pais não procuram a filha. Só se preocupam com a imagem." E argumenta que, se assim não fosse, pediriam a reabertura do processo, como ele próprio defende. "Basta uma cartinha. Gastam apenas e só o valor do selo", ironiza o antigo coordenador responsável pela investigação.

CAVACO DIZ QUE DIPLOMATAS TÊM IMAGINAÇÃO

"Os embaixadores às vezes são bastante imaginativos." Foi desta forma que o Presidente da República reagiu ao seu retrato traçado nos telegramas da embaixada norte--americana e divulgados pela WikiLeaks. "Quase não apareço nessa fotografia. Dizem que queria ter sido convidado à Sala Oval na Casa Branca, mas posso dizer que fui o português, ou pelo menos o político português, que mais vezes foi à Casa Branca. Estive em todas as salas privadas", frisou Cavaco Silva, manifestando-se "surpreendido "com a fragilidade do sistema de segurança [dos EUA]".

LIBERTAÇÃO DE ASSANGE ADIADA

O fundador da WikiLeaks, Julian Assange, foi ontem libertado sob fiança por um juiz britânico, mas acabou por voltar à cadeia devido a um recurso interposto pela Justiça sueca, que pretende julgá-lo por violação.

O juiz Howard Riddle, que no dia 7 decretou a prisão preventiva de Assange, aceitou ontem libertá-lo mediante o pagamento de uma fiança de 200 mil libras (237 mil euros), ficando obrigado a usar pulseira electrónica e a apresentar-se todos os dias à polícia. O juiz exigiu ainda que a fiança fosse paga em dinheiro, o que terá impedido a sua libertação imediata.

Enquanto o advogado de Assange tentava a todo o custo reunir em numerário a verba necessária, a Justiça sueca interpôs recurso da decisão, afirmando que continua a existir risco de fuga. Como resultado, o juiz Riddle ordenou que Assange fosse levado de volta à prisão de Wandsworth até nova audiência, hoje ou amanhã. "Isto está realmente a transformar-se num julgamento-espectáculo", queixou-se entretanto o advogado Mark Stephens.

VIÚVA DE ARAFAT EXPULSA DA TUNÍSIA POR GUERRA COM PRIMEIRA-DAMA

Um telegrama da embaixada dos EUA em Tunis deslinda o mistério por detrás da expulsão da viúva de Yasser Arafat da Tunísia, em 2007. Suha Arafat, que durante anos viveu na Tunísia com o líder da OLP e ali regressou após a sua morte, em 2004, ter-se--á desentendido com a primeira-dama tunisina, Leila Ben Ali, tida pelos EUA como a "líder da corrupção" no país. As duas mulheres chegaram a ser parceiras em negócios, mas tudo terminou quando Suha descobriu que Leila "conspirava para casar a sua sobrinha", de 18 anos, com o xeque Mohamed al-Maktoum, emir do Dubai, casado com uma irmã do rei da Jordânia. Suha correu a avisar a amiga Rania da Jordânia, mas Leila descobriu tudo e não lhe perdoou.






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