terça-feira, 16 de novembro de 2010

O McPlanoB


Maddie: quem vive à custa de quem?


Paulo Sargento


     Foi sem surpresa que recebi a notícia de que o casal McCann irá lançar um livro sobre a sua própria filha, Madeleine Beth McCann. 

    De imediato, pensei em algo que a Il.ma Advogada que os representa sempre acentuou relativamente a Gonçalo Amaral: a ideia de que o ex-inspector da Polícia Judiciária estaria a viver à custa da desgraça alheia, por ter escrito um livro sobre o caso Maddie, caso que, de resto, havia coordenado até 2 de Outubro de 2007. 

  Nessa altura, também me interroguei: será que a Ex.ma Senhora Dra. Isabel Duarte representa o casal McCann pro bonum? 

   É que estas questões são muito relevantes, pois a referência, directa ou indirecta, ao vil metal tem, frequentemente, vindo à colacção quando se toca no assunto “Maddie”.

   O casal McCann poderia ter defendido a sua imagem e o seu bom nome interpondo um processo-crime contra o ex-inspector Gonçalo Amaral, tendo como base um pressuposto de difamação, por exemplo.

 Por que razão não o fez? 

Provavelmente, porque tal processo teria uma consequência evidente: a reabertura do caso “Maddie”.


 Assim sendo, foi procurada outra vertente que teria duas vantagens para o casal: 

uma providência cautelar ao livro “A Verdade da Mentira”. 

Que vantagens seriam essas? 

  • Silenciar Gonçalo Amaral e os media que  se interessavam pelo caso (ainda que estes não tivessem sob o efeito da proibição a que foram sujeitos Gonçalo Amaral, a TVI e a Valentim de Carvalho)



  •  e obter indemnizações que mantivessem o Fundo FindMadeleine que, apesar de tudo, iria mantendo o dia-a-dia do casal e sua família. 



  Contudo, se no primeiro caso, incompreensivelmente, tiveram algum sucesso, no segundo já não se passou o mesmo. 

  O casal McCann terá pensado numa indemnização, com base nos cálculos das vendas do livro “A Verdade da Mentira” e dos royalties do DVD editado pela Valentim de Carvalho, que só quem não conhece o funcionamento das editoras e dos lucros de vendas em Portugal poderia pensar. Nem sequer um terço do que pensaram se aproximaria da realidade, infelizmente para o casal.

  Gerry McCann tem vindo a referir que o Fundo se encontra sem verbas e que é necessário procurar mais verbas para continuar a busca de Maddie. 


  Contudo, quando olhamos para as contas do Fundo verificamos que apenas uma reduzidíssima parte das verbas tem sido empregue em actividades que se ligam à, suposta, busca da pequena Madeleine.


    Mas, Gerry McCann insiste nesta estratégia e chega mesmo a fazer um certo merchandizing de “produtos Maddie”, no seu próprio blog. Confesso que esta é, para mim, a parte mais dolorosa e difícil de aceitar na sua estratégia.

Agora surge o livro. 

    Surge o livro porque, na desesperança de uma decisão desfavorável do Tribunal da Relação, tem de existir um plano B. 

Mas, os planos só têm um  objectivo: arranjar dinheiro! 

  Afinal, QUEM VIVE À CUSTA DE QUEM? QUEM SE PREOCUPA EM SABER O QUE ACONTECEU A MADDIE?

Uma coisa é certa: o casal McCann não quer a reabertura do processo

Se a quizessem fariam uma de três coisas: 

  • interporiam um processo-crime a Gonçalo Amaral 


  • e, se o ganhassem, um processo-civíl requerendo indemnização; 
  • participariam numa reconstituição, mas sabem que Gonçalo Amaral foi o ÚNICO em Portugal a provar um homicídio sem corpo, através de reconstitição; 


  • ou, simplesmente, Kate McCann acederia a responder às 48 questões a que, em sede de inquirição, se recusou, a mesmo assumindo que tal iria prejudicar seriamente a investigação




  


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