sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um Óscar para os McCann


















Um Óscar para os McCann

O Ocean Club está a atravessar o seu período de maior desolação. Haverá três, talvez quatro corpos ao sol - o resto são espreguiçadeiras vazias em torno da piscina vazia. O bar à beira da piscina onde Gerry e Kate McCann jantavam com amigos na noite em que a filha desapareceu parece inactivo. Uma cliente pergunta em inglês: "É possível comer alguma coisa?" porque é duvidoso que se possa comer alguma coisa. As traseiras do apartamento alugado pelos McCann vêem-se daqui. Estores corridos, o rés-do-chão parece uma couraça, fechada sobre si mesma.O Ocean Club já foi um dos maiores empregadores da zona. Em 2007 tinha 130 empregados, em 2008 tinha 60. Actualmente são 48, mas há cerca de um mês a administração anunciou o despedimento de 21 funcionários, por carta, mencionando o impacto que o caso Maddie teve na queda das taxas de ocupação. Alguns dos que estão de saída disseram aos jornais que ponderam processar os McCann. Mas por enquanto fazem voto de silêncio. "Não falam antes de receber as indemnizações", explica uma empregada. Os que ficam não falam, com medo de represálias.

No início de Abril, Gerry McCann regressou à Praia da Luz para filmar a reconstituição da noite do desaparecimento da filha para o Channel Four, e foi vaiado por populares. "Sim, houve uma grande solidariedade [para com o casal] no início, mas depois as pessoas começaram a perceber que havia qualquer coisa esquisita", diz a empregada do Ocean Club. A desconfiança em relação aos McCann parece, hoje, uma actividade colectiva na Luz, mesmo que cada um alegue provas individuais, a sua própria versão daquilo que alguém descreve como "as fantochadas dos McCann".

A empregada do Ocean Club: "A filha desapareceu na quinta-feira e na segunda-feira ele já estava a jogar ténis com os amigos, todo contente. Ela ia correr, e os jornalistas iam todos atrás. Fazia de propósito."

Cândida Domingos, auxiliar de educação da escola primária: "Nunca houve uma lágrima. É muito suspeito uma mãe que perde um filho estar na televisão a falar a 100 por cento. Eu acho que ela é mais suspeita do que ele."

Uma mulher que lê o Correio da Manhã à mesa do café: "Depois de ter acontecido, eu vi-a sentada a comer na esplanada do restaurante chinês. Se fosse eu, acho que ficava em casa, com a cara tapada. E não tenho filhos. Mas tenho sobrinhos."

Outra testemunha local: "São grandes actores. Não sei como é que não receberam o Óscar. Ao fim de dois dias, a minha tese já não era a das outras pessoas. Passei pelo Gerry McCann e ele estava a rir à gargalhada ao telemóvel."



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