terça-feira, 3 de agosto de 2010

Kate Summer Scale or Kate Summerscale






As Suspeitas do Sr. Whicher, Kate Summerscale



Na madrugada de 30 de Junho, alguém entrou no quarto das crianças de Road Hill House, mansão de Samuel e Mary Kent, situada no vilarejo inglês de Road, e sequestrou Saville, o filho de três anos do casal. Horas depois, quando o alarme foi dado pela ama, o corpo da criança acabou por ser encontrado na latrina dos empregados, na área externa. Saville tinha a garganta dilacerada. Não havendo provas de entrada forçada na propriedade, todas as atenções se voltam para a família e empregados da casa. O assassinato de uma criança de 3 anos numa mansão em Road Hill, Inglaterra, em 1860, chocou aquele país e o mundo porque o assassino era alguém muito próximo do filho mais novo da família Kent. Este crime, que de resto mudou a história da investigação, da literatura e de uma época, foi reconstituído pela jornalista Kate Summerscale (...). O caso, que acabou por inspirar escritores como Charles Dickens e Arthur Conan Doyle, foi conduzido na época pelo inspector Jonathan Whicher, da Scotland Yard.

E é pois sobre esta história verídica que abalou a sociedade da época e cujos ecos se fazem ouvir ainda hoje, na sociedade, na literatura e na investigação criminal que trata este "As Suspeitas do Sr. Whicher".


A reconstituição deste crime de 1860, com as profundas e minuciosas referências sobre o caso apresentadas no livro, faz-me pensar que, se quisermos fazer um paralelo com um crime de igual impacto na era actual, podemos compará-lo com o caso do desaparecimento de Madeleine McCann.

O mesmo choque, a mesma ausência de provas incriminatórias de alguém, a atenção virada para a família da vítima, os boatos, as conspirações, a forma como mudou o olhar da sociedade num determinado tempo. No caso do crime de Road Hill, o caso fez mais do que isto.


A autora, como refere no Introdução, pretende que a sua narrativa seja factual. Muito se escreveu sobre este crime nos anos que se seguiram à sua execução, mas Summerscale dedicou-se à pesquisa de todo o tipo de dados que lhe permitissem escrever um ensaio, e não ficção, em torno deste caso, recorrendo para isso aos jornais publicados na altura, bem como a documentos, registos e relatórios da Polícia Britânica.
Em paralelo com a apresentação dos vários factos desta história macabra, também outros assuntos são focados no livro, como prova de como o assassínio de uma criança transformou inúmeras vertentes do pensamento vitoriano.


Jonathan (Jack) Whicher surge como um dos primeiros detectives da Scotland Yard e como um dos seus mais geniais membros. Em todos os casos em que deitava a mão, encontrava a solução, o culpado, o ladrão, o criminoso.

A partir de então começam a surgir as mais importantes narrativas ficcionais de detectives, sobretudo na voz de Wilkie Collins, Charles Dickens, entre outros. A literatura policial passa a ser a verdadeira fonte de atenção para todos quanto se deixam arrepiar pelos casos mais tenebrosos que iam acontecendo na Inglaterra vitoriana, principalmente pelos que conheciam a sua resolução nas mãos de Whicher. Whicher, entre outros do seu grupo, passa a ser o protótipo do detective misterioso e absolutamente genial que inspira os seus homónimos do papel e da ficção. Muitas são as referências a excertos das principais obras que se inspiraram em detectives ao longo do livro.
No século XIX, a casa era ................

Na minha opinião, é um livro que gostei de ler mas que requer paciência, já que se trata da colagem de opiniões, textos, excertos presentes em livros, documentos, jornais, etc. Não há propriamente diálogos que ajudem a fluir a narrativa. No entanto, só depois da investigação ter atingido um impasse entre as partes envolvidas (Whicher versus polícia e magistrados que tomavam conta do caso de Road Hill) é que a narrativa se tornou pesada e aborrecida. A autora continua a dar excertos e exemplos de tudo e mais alguma coisa, e o encerramento do caso fica parado.


Finalmente, a principal acusada do crime faz a tão esperada confissão, mas tal como para a polícia e tribunais de altura, até mesmo para Whicher, para mim foi absolutamente estranha e incompleta. No entanto, todos queriam fechar o caso e portanto, a história acabou ali. Resumindo, é um livro que vale a pena ler caso tenham interesse em conhecer uma história que, como a de Maddie, virou o mundo ao contrário, mas a autora exagera um pouco nas imensas e excertos de que faz uso.

http://dosnossoslivros.blogspot.com/2010/04/as-suspeitas-do-sr-whicher-kate.html

http://paisagensdacritica.wordpress.com/2009/10/28/as-suspeitas-do-sr-whicher-de-kate-summerscale/

.........to
an open window in the downstairs drawing room. The assumption that an intruder had absconded with the child quickly gains widespread support.


At this point the research and narrative skills of author Kate Summerscale must be fully acknowledged. Her 2008 publication 'The Suspicions of Mr Whicher or The Road Hill House Murder' is the complete source for this story as well as the quotes which follow, the first of these taken from The Morning Post of 10 July, 1860:

.......by the light of unquestionable truth...The secret lies with someone who was within...the household collectively must be responsible for this mysterious and dreadful event. Not one of them ought to be at large till the whole mystery is cleared up...one (or more) of the family is guilty.'

.................Whicher wrote of the drawing room window:
.................Therefore it is quite certain that no person came in by that window...I therefore feel quite convinced that the window shutters were merely opened by one of the inmates, to lend to the supposition that the child had been stolen.'

Consistent with Whicher's documented interpretation, Summerscale informs her readers that "At first Samuel (Kent) did his best to point the police away from the rooms of his family and servants. Like Elizabeth Gough, he insisted that a stranger had killed Saville.".................

D. I. Whicher's 'nose' led him to a fairly swift conclusion. Pursuing both the evidence, such as it was, and the behavioural characteristics of the various members of the
...............


...........that he knew to have been a feature of the crime, was conspicuous by its absence, namely a nightdress seemingly unaccounted for. "Then as now, many clues were literally made of cloth - criminals could be identified by pieces of fabric."

.... Summerscale describes a relevant precedent thus:

"Madeleine Smith had shown that by being cunning and immovable a middle-class murderess could become a figure of glamour and mystery, a kind of heroine. And if she kept her nerve she might never be caught."

The situation rebounded on Whicher directly, as Summerscale again explains:

..................

And it didn't end there.

"Petitions were sent to the Home Secretary asking for a special commission to investigate the Road Murder - a Bath solicitor was appointed to conduct an 'investigation.'"

The Suspicions of Mr Whicher is an extraordinary book, dealing with an extraordinary historical event, and it would be inappropriate here to reveal the denouement of the story. Suffice to say however that 'what goes around comes around.' There was a comeuppence, and Summerscale is later able to inform us:

"The Somerset and Wilts Journal reminded its readers of the 'merciless and almost universal...censure' to which this 'able and experienced' officer (Whicher) had been subjected."

Art reflects life - reflects art - and Summerscale repeatedly includes examples of the influence this real-life case had on the development of detective fiction subsequently.

"In 'The Moonstone', as at Road Hill, the original source of the crime was a wrong done in a previous generation: the sins of the father were visited on the children like a curse."

In her postscript to the paperback edition, Summerscale postulates, with some justification, that Samuel Kent, the father, was already 'plotting the first book about the murder of Saville Kent' in the winter of that same year, 1860.

Was it not Aristotle's contention that there are only seven basic plots?


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http://www.mccannfiles.com/id232.html

http://thepjfiles.prophpbb.com/topic6916.html

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The great crime of 1860: House of horrors


http://en.wikipedia.org/wiki/Constance_Kent

http://www.spectator.co.uk/books/614566/house-of-horrors.thtml



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