domingo, 1 de agosto de 2010

tudo o que sabe não foi escrito













Maddie: os erros da PJ, segundo Gonçalo Amaral


«Ficámos horrorizados» com o trabalho que «estava a ser feito».

Onde estão as escutas e as análises aos gémeos?


25-07-2008 - 17:15h

«O apartamento» de onde desapareceu a menina estava «irremediavelmente contaminado por todos os que lá passaram. Amigos, empregados, GNR e até cães». É assim, que no capítulo 3 do livro «Maddie a verdade da mentira», Gonçalo Amaral, assume que, pela primeira vez nas 214 páginas, houve «falhas» na investigação.

A análise ao local do crime, tanto pelos primeiros agentes da PJ a chegar, como pela GNR e pela polícia técnica, são matéria de reparos por parte do ex-inspector da PJ.

Num caso de desaparecimento de uma criança, nada na lei portuguesa prevê ou obriga a «isolar» a zona pelas autoridades policiais, refere o ex-PJ. «Não há procedimentos e regras internas para casos» deste género. Em pouco tempo, o ex-investigador percebe que «o apartamento está irremediavelmente contaminado por todos os que lá passaram».

O primeiro contacto com o local de acordo com Gonçalo Amaral, a reportagem fotográfica realizada pelos primeiros agentes da PJ a chegar e o relato de tudo o que viram não estava completo. «O relatório era muito sucinto» e a reportagem fotográfica do interior e exterior do espaço não «tinha pessoas».

Saber quem estava no apartamento e como estavam vestidos poderia revelar-se essencial no decorrer da investigação», justifica.

Para que se perceba a importância desta diligência o PortugalDiário dá-lhe um exemplo.

Quando mais à frente, na investigação, um dos cães britânicos encontra odor de cadáver na roupa de Kate, numas calças e numa camisola, se esta estivesse a usar o conjunto na noite em que Madeleine desapareceu, poderíamos estar perante um indício.

No entanto, não existe nenhuma imagem dos pais de Maddie ou amigos na noite do desaparecimento.

No dia seguinte, quando Gonçalo Amaral chega ao local acompanhado pelo Director Nacional-adjunto de Faro. «Ficámos horrorizados» com o trabalho que «estava a ser feito». Havia elementos da polícia técnica a recolher vestígios e um nem sequer tinha vestido o fato apropriado.

E as escutas?

Logo no dia 5 de Maio, a equipa de investigadores que assumiu o caso, coloca a hipótese de «escutar os pais».

«Seria o normal, seria o ideal», assume no seu livro. E porque não foi feito?

Porque «duvidar naquele momento dos pais ou amigos era complicado».

Além disso, «o regime legal português só permite realizar escutas como meio de recolha de prova e não como forma de afastar "suspeições" sobre pessoas».

Por que não foi logo feita a reconstituição?

No capítulo 5, o ex-PJ tenta justificar por que não foi realizada a reconstituição da noite do desaparecimento da menina. Perante «as contradições» nos depoimentos do grupo de amigos dos McCann, os investigadores, ainda em Maio, ponderaram realizar essa diligência.

Não aconteceu devido «ao elevado número de turistas que estavam no aldeamento». O espaço «teria de ser fechado durante várias horas, afectando as férias de todos» que ali estivessem. Foi ainda tido em consideração a presença dos jornalistas no local. «Temeu-se ainda que se achasse que os pais e amigos eram suspeitos» e não era desejável «um julgamento na praça pública».


O sono dos gémeos

O sono pesado dos gémeos foi sempre algo que intrigou os investigadores. Após a irmã desaparecer e da saída e entrada constante de pessoas, eles «só acordaram quando foram mudados de apartamento», relata.

Na altura, o assunto foi debatido e Amaral assume que «foi um erro» não terem sido pedidos exames.
Até porque, mais tarde, é o «próprio avô paterno» da menina que afirma que Kate dava aos filhos um medicamento chamado «Calpol» para os ajudar a dormir.



24-07-2008 - 19:17h


«Não persegui ninguém», diz Gonçalo Amaral


Ex-inspector diz ainda que com «outro MP» a investigação teria um fim diferente



Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária, lançou ao final da tarde desta quinta-feira, o livro sobre a investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann. Na apresentação da publicação «Maddie: A Verdade da Mentira», o homem que liderou o processo durante seis meses garantiu que «nunca perseguiu ninguém», quando questionado pelos jornalistas sobre se este trabalho não seria uma forma de perseguição ou vingança.


«Não persegui ninguém», além disso, «o compromisso de qualquer investigador é a descoberta da verdade», disse. Acrescentou ainda que «fez o trabalho possível, sempre com boa intenção».


Na conferência de imprensa que decorreu antes da apresentação oficial do livro, Gonçalo Amaral respondeu a perguntas dos jornalistas e ao PortugalDiário explicou o que teria feito de forma diferente se pudesse voltar: «Com a minha equipa não deixava que a investigação tivesse sofrido com tanta politização e pressões».

O ex-inspector adiantou ainda que teria feito «mais cedo» algumas diligências com os McCann e os amigos, nomeadamente, assumindo «as suspeitas» que recaíam sobre eles. Até porque houve, na sua opinião, demasiado cuidado e atenção no tratamento dado ao casal.

«Outro resultado com outro MP»

O ex-polícia referiu ainda que os indícios recolhidos durante a investigação «podiam ter outra valoração» com «outro Ministério Público». E lembra que o comunicado da PGR apenas refere «falta de provas» e não «falta de indícios». Para o ex-inspector a prova é, no fundo, «um conjunto de indícios». «Um indício é um indício. Dois são dois, três já são uma prova».
Gonçalo Amaral vai mais longe e usa a sua longa experiência para afirmar que conhece muitas pessoas «à espera de audiência de julgamento» contra quem «não há qualquer indício», mas apenas «inferições».


«Não faço futurologia»


Questionado sobre se a investigação poderia ter tido outro desfecho consigo a liderá-la acredita que sim. «Não faço futurologia, mas talvez tivéssemos ido mais longe». Até porque lembra que «não foi o único a abandonar a investigação. Houve inclusive um polícia inglês que também se reformou».

É com alguma fé que Gonçalo Amaral acredita na possibilidade do caso ser reaberto, reconhecendo também que não escreveu no livro «tudo o que sabe».



24-07-2008 - 03:13h


Maddie: quase disse onde estava o corpo, diz ex-PJ

Gonçalo Amaral acredita que a dada altura da investigação Kate McCann quase revelou, de forma indirecta, onde estava o corpo da filha


O ex-inspector da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, responsável durante seis meses pela investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann, e mais tarde afastado do caso, assume poder ser «ingénuo» mas acredita, como outros investigadores que trabalharam consigo, que Kate «estaria na disposição de, sem se comprometer, indicar o local onde o corpo da filha estava, e que o mesmo se situaria na zona da Vila da Luz».

A partir de uma certa altura, a mãe de Maddie, começou a transmitir à judiciária informação que recebia de psíquicos e pessoas com poderes paranormais, sobre onde poderia estar o corpo da criança. Um mês depois «ela já colocava a hipótese» da filha não estar viva, apesar de afirmar o contrário publicamente.


A revelação é feita no livro, «Maddie a verdade da mentira», que o ex-inspector da PJ, apresenta esta quinta-feira, em Lisboa, e onde relata, em 200 páginas e 23 capítulos, diversos passos da investigação e a sua versão dos acontecimentos.


Entre os muitos dados revelados, encontramos os principais motivos que sempre levaram Gonçalo Amaral a desconfiar de Gerry e Kate e do grupo de amigos que com eles passavam férias. Admite mesmo que o casal foi tratado «com pinças» e «com privilégios».

Depoimentos não coincidem

Os depoimentos prestados pelo grupo relativos à noite dos factos, e na qual estavam a jantar juntos, não são coincidentes. Há discrepâncias nas horas, nas sequências e nos pormenores relatados. Foram mesmo entregues à judiciária duas listas manuscritas pelo grupo, sobre as horas a que os diferentes membros do grupo foram controlar as crianças.

Os dois documentos que não são iguais e «nota-se» uma tentativa de preencher vazios temporais.


Kate deu o alarme por volta das 22h e garante que a janela do quarto da filha estava «toda aberta» e as persianas levantadas.


Gonçalo Amaral questiona, por exemplo, que a amiga do casal ¿ Jane - possa ter visto um homem carregar uma criança nos braços por volta das 21h20/21h25. Quando pouco tempo depois, e antes de ser dada falta da menor (21h30), outro membro do grupo, Matthew, vai aos apartamentos e não nota que a janela do quarto esteja aberta. Pela sequência dos eventos, o alegado raptor já teria entrado na casa e levado a menina nessa altura.


No dia seguinte ao fatídico acontecimento, há uma reacção de Kate que deixa Gonçalo Amaral espantado.


Alguém afirma ter visto uma menina parecida com Maddie numa estação de serviço e há imagens de vídeo. Kate que já tinha sido ouvida na PJ é obrigada a regressar:

«Mostra-se um pouco enfadada por ter sido obrigada a regressar e incomodada com a velocidade atingida pelo carro da policia onde se deslocava. Estranhámos que não se mostrasse esperançada com a possibilidade de a menina ser recuperada».


Registos de chamadas apagadas


Na manhã seguinte ao desaparecimento, a PJ pede aos pais para consultar os seus telemóveis.


E descobrem que entre 27 de Abril e 4 de Maio, Kate não fez nenhuma chamada. Nem recebeu nenhum telefonema entre as 11h22 de dia 2 de Maio e as 23h17 da noite dos factos.


Já Gerry não tinha nenhum registo anterior ao dia 4 de Maio.
Todavia, os agentes reparam que no telemóvel de Kate está indicada a recepção de uma chamada feita pelo seu marido às 23h17 do dia 3 de Maio.
Mas no dele não consta nada. A PJ concluiu que os registos das chamadas foi «apagado dos telefones». Porquê?








Enviar um comentário