domingo, 6 de junho de 2010

Carina, 21 anos, desaparecida há 36 dias


Desapareceu há 36 dias e não há ainda pistas credíveis sobre o que aconteceu à jovem de 21 anos.

Acidente, rapto, sequestro, crime passional, roubo ou até, simplesmente, uma mudança voluntária de residência e de estilo de vida. Qualquer uma destas hipóteses é mantida pela PJ para explicar o misterioso desaparecimento de Carina Ferreira, a jovem de Lamego que é procurada há 36 dias. A PJ, que investiga o caso, mantém todos os cenários em aberto, mas assume que "a alteração súbita das rotinas e o facto de não ter mexido na conta bancária indiciam estar- -se perante um crime" e tem nove inspectores no terreno que procuram reconstituir a vida de Carina na busca de pistas que possam justificar o desaparecimento.
No dia do desaparecimento, a 1 de Maio, Carina, que "não trabalhava de noite", salienta a PJ, prometera ajudar a amiga Andreia Santos, no Clube de Caça e Pesca do Alto Douro, na Régua, onde havia uma festa. Há quase um ano que ali trabalhava e nunca se tinha atrasado. Naquela noite saiu de casa de carro, um Peugeot 106 comercial que continua desaparecido. Na Régua, a irmã e a amiga, que a esperavam, estranharam a demora e tentaram contactá-la para os telemóveis, mas Carina já não atendeu. A família apresentou queixa na PSP de Lamego.
No domingo de manhã, o segundo dia do desaparecimento, alguns familiares percorreram o trajecto habitualmente usado pela jovem, através da A24, mas não encontraram qualquer vestígio de acidente. A PSP assumiu que podia tratar-se de fuga e, com a paralisia das autoridades, amigos e familiares assumiram o desaparecimento e encetaram os primeiros contactos. Andreia Santos criou uma página no Facebook e divulgou-a junto de amigos. Ao terceiro dia, a página, "a tua força é a nossa esperança", registava mais de 20 mil aderentes e o caso era divulgado sobretudo entre os amigos.
Pedro Póvoas, que hoje se afastou da página, lembrou que faltavam detalhes que "apontassem para o desaparecimento". O nome foi alterado e passou a "Carina está desaparecida". Com a entrada da PJ na investigação, o de-saparecimento ganha outra amplitude. Carina não levou roupa nem dinheiro. Saiu de casa com a carteira e os documentos e não mexeu na conta bancária. A PJ diz que a situação "é complexa" e investiga o caso como se de um "crime violento" se tratasse.
"Uma possibilidade, não uma certeza." As poucas pistas disponíveis e o facto de a conta bancária da jovem não registar movimentos levaram a PJ a trabalhar com esse cenário, "mas sem nunca excluir a hipótese que possa aparecer viva e de saúde", adiantou fonte da PJ, que constituiu uma equipa multidisciplinar que é chefiada por uma coordenadora. Apesar disso, esta fonte assumiu que se trata de "um caso complexo, com poucas pistas e onde temos de prever o pior". O rapto ou o sequestro são justificados com o facto de os telemóveis terem ficado sem sinal e o carro estar desaparecido. Porém, a PJ fez buscas nos rios, visionou as imagens das câmaras da A24, e, com a conta bancária sem alterações, assumiu a tese do crime passional.
E depois de ter ouvido um militar, com quem a jovem manteria um relacionamento, alargou os inquéritos aos rangers que têm quartel em Lamego. Os pais de Carina mantêm-se em silêncio a conselho das autoridades e os amigos reduziram os comentários. Andreia Santos resume o caso: "Desespero, mas vamos deixar a PJ trabalhar e acreditar que mais tarde ou mais cedo teremos notícias."

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1586594&seccao=Norte


PERFIL
Menina bonita que foi Miss Escola
por A. A.Hoje

Dizem os amigos que Carina Ferreira era "bonita, pretendida, inteligente e ambiciosa". Aos 21 anos, a beleza é inegável e já antes o era. No secundário foi eleita Miss Escola. Carina deixou Lamego para estudar Turismo, Lazer e Património na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Primeiro, mora com a irmã e, depois, com colegas que a reconhecem aplicada nos estudos e envolvida na vida académica. É em Coimbra que surgem as primeiras ligações à moda. Em 2009 conclui o curso de Turismo na Universidade de Coimbra e começa a trabalhar no Clube de Caça e Pesca da Régua, onde entrou para praticar voleibol. Por aqui, dizem, que "há uma rapariga muito bonita, que não deixa ninguém indiferente".
Antes do desaparecimento, o tempo era passado entre o trabalho e um grupo de música, onde actuava como bailarina. A relação vinha desde Fevereiro e o grupo realizava espectáculos pela região. No sítio da banda há fotografias onde as bailarinas estão em poses sensuais e desinibidas.
Os familiares asseguram que não tem razões para desaparecer e salientam a estreita ligação à família. Entre os amigos há quem reconheça que namora um "rapaz dos rangers" mas a família não lhe conhecia namorado. "Não tinha inimigos e dava-se bem com toda a gente", dizem, novamente, os amigos.
Foram os amigos que criaram a página no Facebook que desencadeou o mediatismo do caso. Nos bares de Lamego, que Carina frequentava, há quem se lembre de a ver na companhia de uma amiga e de dois militares. Nos bares e na cidade, os amigos espalharam cartazes com a sua foto. São os únicos a falarem das investigações.

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1586584&seccao=Norte
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