sexta-feira, 14 de maio de 2010

Senhor Professor Doutor Saldanha Sanches




O velório do professor universitário realiza-se sábado a partir das 14h00 na igreja de S. João de Deus, na Praça de Londres, de onde sairá domingo às 14h30 para o crematório dos Olivais.

Saldanha Sanches era casado com a procuradora geral adjunta Maria José Morgado que fez questão de agradecer todo o"carinho, cuidado e atenção prestados pela equipa de médicos do hospital de Santa Maria".

Nascido a 11 de março de 1944, o percurso de Saldanha Sanches foi marcado pela irreverência, que sempre o acompanhou na juventude, em especial na década de 1970, quando se tornou militante do PCTP/MRPP.

Juntamente com destacadas figuras da política portuguesa, como Maria José Morgado e José Manuel Durão Barroso, ex-primeiro ministro e presidente da Comissão Europeia, Saldanha Sanches enfrentou o regime da altura, tendo sido mantido preso durante vários anos.

Em 1980, Saldanha Sanches licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com a classificação de 16 valores. Seis anos mais tarde, obteve o grau de Mestre em Ciências Jurídico Económicas e, em 1996, o Doutoramento, na mesma área e na mesma instituição académica, com a classificação de Bom com Distinção.

A partir de então, o fiscalista passou a lecionar na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, primeiro como assistente, depois como professor auxiliar e, por fim, como docente associado e regente em cursos de mestrado.

Ao longo da sua vida profissional, Saldanha Sanches redigiu inúmeros artigos e livros, sobretudo sobre questões relacionadas com a tributação do lucro de empresas.

No currículo do fiscalista destacam-se ainda cargos no Centro de Estudos Fiscais, entre 1984 e 1996, no Conselho Nacional da Fiscalidade, entre 1996 e 2000, além de ter sido ainda membro fundador da "European Association of Tax Law Professors".

Na sua biografia conta-se ainda a participação, entre fevereiro e setembro de 1997, na Comissão Monti para a Reforma dos Impostos sobre o Rendimento e Representação de Portugal, por nomeação do ex ministro da Finanças António Sousa Franco.

Nos últimos anos, Saldanha Sanches foi comentador político e económico na SIC Notícias, além de ter sido mandatário do socialista António Costa, nas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa.

Saldanha Sanches estava internado há três semanas no Hospital de Santa Maria, onde morreu cerca das 02h00, segundo fonte daquela unidade hospitalar.

(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.)

Com Lusa

http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/Jurista+Saldanha+Sanches+sera+cremado+domingo+no+cemiterio+dos+Olivais.htm








Para mim, que me cruzei tantas vezes com ele nos corredores da Faculdade de Direito de Lisboa, foi um herói. Não preciso de acrescentar mais nada. Saldanha Sanches foi um herói antes e depois da Revolução.

Lá estarei a prestar-lhe homenagem. Eu e aqueles que o perseguiram naquele dia vergonhoso. Valeu-lhes o voto secreto, pois, e hoje correm-me as lágrimas quando me recordo do dia seguinte à prova vergonhosa em que quis falar a Saldanha Sanches, com o coração a duzentos, quis dizer-lhe do horror da véspera, que todos viram com olhos de ver, da sua coragem, mas alguém tropeçou entre o meu corpo e e o dele e até hoje pensei que um dia teria a oportunidade de lhe dizer que Professor com letra grande é quem não alinha com o sistema e continua sem medo. Não foi sempre assim a vida dele?

Obrigada, Senhor Professor Doutor Saldanha Sanches."

http://jugular.blogs.sapo.pt/1886459.html

4 comentários:
De João José Fernandes Simões a 14 de Maio de 2010 às 11:31
um cidadão de quem aprendi a gostar. inicialmente parecia vaidoso, arrogante. mas não. foi um homem simples e irreverente até ao fim. é uma pena a sua perda.
e, sim. a sua irreverência não o deixou chegar ao topo da sua carreira académica. mas, aqui, minha querida amiga, 'habitue-se' que disto eu também sei, na pele, do que falo. o nosso país é muito pequeno para os irreverentes.
espero que Maria José Morgado se aguente e continue a 'luta', como mulher de coragem que é, também.
De Paulo Polónia a 14 de Maio de 2010 às 17:58
Foi um choque pessoal esta manh... Ver maisã a noticia do seu falecimento. Era uma figura impar de justiça, profissionalismo e clarividencia. Honesto intelectualmente. Ainda mais chocado pelo facto de me ter cruzado com ele (não o conhecia pessoalmente) no Hospital de Santa Maria à 3 semanas atrás numa sessão de quimioterapia. Tive esperança que vencesse essa guerra que estava a ter.Emocionei-me com o carinho e cuidado com que estava a ser acompanhado pela sua esposa, Maria José Morgado. Por detrás da dureza da imagem pública, existe uma mulher sensivel, afável, extremamente humana. Os meus sinceros e sentidos sentimentos a ela e restante familia.
De Marco Leitão Silva a 14 de Maio de 2010 às 18:06
A propósito do tema, permitam-me deixar uma sugestão de leitura no SAPO:

Fernando Rosas: 'Foi um homem de uma geração de luta'
http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1064817.html
De Paula Pinho a 14 de Maio de 2010 às 18:09

Quando cheguei à FDL, e antes mesmo pela militância pré 25 de Abril, no MAESDL, já eram para mim uma referência, estavam presos então, e infelizmente voltaram a sê-lo, depois da “Liberdade”.
Em pólos então designadamente opostos dos “sociais-fascitas”, que abandonei com a mesma desilusão que a vossa, falo ainda em directo para ti Saldanha Sanches, estavas na Biblioteca, diariamente, para te prepares para as melhorias de nota. Vocês encarnam a “dupla”, depois o “casal” idealista e sempre militante de Causas justas e Dignas de Valores dos quais a nossa Sociedade se afasta. A ti MiZé, “missionária”, fica-te na mão um legado histórico.
Até sempre José Luís Saldanha Sanches !
Descansa, agora, em Paz !


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Espero que me desculpem a copia integral........desculpem. Mas fiz por Ele e por Ela.

Por Saldanha Sanches e Mª José Morgado!


Lamento tanto!

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